Humanizar: Um sonho possível

Humanizar: Um sonho possível

Em um bairro de Maceió, residentes multiprofissionais em saúde propõem um trabalho diferenciado visando a participação ativa da comunidade e a autonomia dos sujeitos, onde a humanização foi ponto primordial para a consolidação do trabalho. As atividades desenvolvidas buscaram promover saúde através de práticas corporais e troca de saberes, com o Clube da Caminhada e Hiperdia; e acompanhamento integral à saúde dos usuários com dificuldade de acesso a Unidade de Saúde, com a visita domiciliar.
Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?: 

O Programa de residência multiprofissional com ênfase na saúde do adulto e idoso do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes/UFAL 2013 é composto por profissionais de seis áreas da saúde: assistentes sociais, educadores físicos, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas e psicólogos. Estes residentes elaboraram um plano de ação para atender de forma diferenciada a comunidade do bairro de Fernão Velho, em Maceió/AL, tendo como referência a Unidade de Saúde Edvaldo Silva; as atividades desenvolvidas buscaram primordialmente valorizar os diferentes sujeitos inseridos no processo de produção de saúde, fortalecendo assim a autonomia dos sujeitos e estimulando a prática de hábitos de vida saudáveis. O trabalho foi dividido em três ações: HIPERDIA, visitas domiciliares e práticas corporais com educação em saúde.

Como funciona(ou) a experiência?: 

De acordo com o programa de residência multiprofissional com ênfase na saúde do adulto e do idoso, no segundo ano de residência os profissionais cumprem uma parte de sua carga horária na atenção primária. Desse modo, após conhecer a realidade da comunidade e as atividades realizadas pela equipe de residentes anterior, foi elaborado um plano de ação com o intuito de dar continuidade às ações já existentes, alterando algumas questões de acordo com a dinâmica da realidade.

  • Na atuação com os grupos HIPERDIA foram desenvolvidas ações de educação em saúde, orientações sobre alteração de dieta, e sobre uso correto de medicamentos e mudança no estilo de vida; foi proporcionado também um espaço de apoio terapêutico e interação social, buscou-se promover a autonomia e protagonismo dos sujeitos; Os instrumentos utilizados nos encontros foram: dinâmicas, rodas de conversa, recortes, exposição e troca de informações. Os Hiperdias são divididos por área de Estratégia Saúde da Família, que em Fernão Velho, compreendem as áreas 42, 43 e 57. As áreas 42 e 43 realizam encontros semanais na Associação dos Pescadores do bairro, enquanto na área 57 os encontros acontecem quinzenalmente, no salão paroquial de uma das igrejas do local. Inicialmente, a população não participava ativamente das atividades propostas, com o decorrer da formação de vínculos e com a mudança na metodologia de atuação, onde a conversa sobre as histórias de vida dos participantes, bem como de sentimentos e percepções proporcionaram o fortalecimento da autonomia dos sujeitos. A equipe percebeu que eles se sentiram protagonistas no processo de promoção de sua saúde.
  • No que concerne as práticas corporais e educação em saúde foi criado um grupo denominado Clube da Caminhada objetivando conferir para a população um modo de viver ativo como fator de proteção a saúde, foram realizadas atividades aeróbicas e de resistência muscular, jogos pré-desportivos, alongamentos, relaxamentos e brincadeiras populares. Os encontros aconteciam duas vezes por semana (terças e quintas) com duração de uma hora por atividade. Os usuários participantes aderiram ao projeto, visto que com o passar do tempo houve um aumento considerável de participantes nos encontros.
  • Nas visitas domiciliares procurou-se inicialmente identificar demandas dos usuários residentes em Fernão Velho com dificuldades de acesso à Unidade de Saúde a fim de executar ações de promoção à saúde, prevenção de doenças, capacitação de cuidadores e educação permanente dos profissionais da unidade de saúde. A dinâmica da visita foi principalmente através da escuta das histórias de vida dos usuários e do preenchimento do protocolo criado para essa finalidade, que contém informações sobre a saúde e situação sócioeconômica dos mesmos. Posteriormente, a equipe multiprofissional elaborava as estratégias de intervenção de acordo com as demandas. A frequência das visitas eram semanais ou quinzenais, dependendo da necessidade de cada usuário. Percebeu-se que os usuários aderiram as orientações e demonstraram valorizar a presença da equipe.

A proposta deste trabalho diferenciado teve aceitação e participação considerável dos moradores, além do constante apoio local do CRAS e da equipe fixa da unidade de saúde no trabalho realizado pela residência no bairro. Os trabalhadores da unidade de saúde se mostraram bastante receptivos e solícitos a nossa proposta e em alguns momentos se integraram as nossas atividades.

Desafios para o desenvolvimento: 

O maior desafio ao longo do trabalho foi a necessidade de formar vínculos com os usuários do serviço de saúde, para tanto foi preciso conhecer mais profundamente a população e a realidade na qual estão inseridos. Foi crucial para este processo o diálogo constante e a troca de conhecimentos com a equipe fixa da unidade de saúde, visto que os mesmos já possuiam uma relação de confiança com a comunidade.

Quais as novidades?: 

O que foi inovador para a referida experiência foi realizar constantemente um trabalho humanizado diante de ações diferenciadas, o que demandou da equipe refletir diariamente acerca do cuidado em lidar com o outro a partir de suas singularidades. Com isso, percebeu-se uma mudança na percepção e no modo de atuação, ainda que primariamente, dos profissionais de saúde.

Autores da experiência

NomeCategoria
Adriana de Souza SantosFarmacêutico
Alyne da Costa AraujoNutricionista
Eduarda Laryssa Vasconcelos da SilvaAssistente Social
Nina Thais Gomes de Carvalho SantiagoNutricionista
Patrycia Rodrigues Lins de OliveiraAssistente Social
Stephane Juliana Pereira da SilvaPsicólogo

Atores da experiência

NomeCategoria
Girleane Feitoza dos SantosEnfermeiro
Julliana Torres dos SantosPsicólogo
Lidya Kelleny Xavier de MirandaEnfermeiro
Péricles Delano SousaProfissional de Educação Física
Taciana Agra FariasProfissional de Educação Física

Comentários

OLÁ Patrycia,

Meu nome é Rubens Carvalho e sou um dos curadores da IV Mostra de

Saúde da Família!



Como vc deve ter lido no Edital da Mostra há a sua disposição um

serviço de "curadoria/orientação" pra apresentação dos trabalhos

inscritos!



Este trabalho só é realizado caso o autor do trabalho aceite, neste

caso vc deve me mandar uma mensagem positiva nos próximos 3 dias para

que possamos começar a debater algumas possibilidades a serem

exploradas do seu trabalho inscrito!



Estas sugestões se dariam no ambiente virtual da "comunidade de

práticas" pelo período de 15 dias!



Lembro que esta opção não é obrigatória e não diminui (nem aumenta) a

possibilidade de seu trabalho ser selecionado por si só!





Se caso, ainda, tenha alguma dúvida entre o aceite ou não, fico a

disposição para esclarecer possíveis dúvidas do edital!



Aguardo tua resposta!



AbraSUS!

Curadoria aceita!

Obrigada!

 

Olá Patrycia! Iniciamos nossa curadoria! Espero que essa conversa seja bem produtiva!

Gostaria de começar parabenizando o trabalho... ou melhor, OS trabalhos! Explico: Você tem três trabalhos em um só! Considero TRÊS experiências o que foi relatado por você! Hiperdia, Clube da Caminhada e a Triagem domiciliar!

Daria até para cada uma ser um relato diferente na Comunidade de Práticas, com a possibilidade de detalhar melhor cada um, fazendo com que outras pessoas pudessem replicar isso em seus territórios (de Norte a Sul do país!).

Ele está muito bem escrito, tem uma fluência muito boa! Na Seção “Venda seu peixe” eu sugeriria que você desse um “aperitivo” do que é sua experiência, falando do trabalho com Hiperdia, Clube da Caminhada e a Triagem domiciliar, mesmo que sucintamente, o que achas?

Gostei muito dessa integração de várias atividades... mas você poderia detalhar melhor cada uma delas? Onde acontecem, com que frequência, qual a percepção dos participantes das atividades, percepção dos trabalhadores?

Por fim, aquela velha curiosidade de saber quais os desdobramentos dessas experiências: o que mudou no território? Se não mudou, qual o maior desafio? O que mudou na prática da atenção básica a partir dessas experiências trazidas pelos residentes?

Parabéns pelo belo trabalho!

Matheus, observamos algumas questões que você pontuou e acrescentamos algumas informações pertinentes.

Aguardamos seu retorno.

Abraços!

Olá Patrycia, que legal! Já deu pra perceber melhor a experiência de vocês.

No trecho abaixo, poderíamos fazer algumas modificações:

"Os Hiperdias são divididos por área de Estratégia Saúde da Família, que em Fernão Velho, compreendem as áreas 42, 43 e 57. As áreas 42 e 43 realizam encontros semanais na Associação dos Pescadores do bairro, enquanto na área 57 os encontros acontecem quinzenalmente"

--> A área de Estratégia de Saúde da Familia é subdividida em outras 3 áreas. A maior parte das atividades ocorre semanalmente..."

Talvez fique menos específico, mas com resultado semelhante, o que achas?

Nesse outro trecho quando fala das atividades do Hiperdia: "e com a mudança na metodologia de atuação,"... qual foi essa mudança? O que fato vocês modificaram em relação às práticas anteriores?

AbraSUS

 

Olá Matheus,

Fizemos uma pequena alteração na questão da mudança na metologia de atuação.

Abraços

 

Muito bom, parabéns, foco na prevenção e na automia, caminho no autocuidade.

FIQUEI ENCANTADA COM O TRABALHO DE VCS, É MUITO PARECIDO COM O QUE EU FAZIA  AQUI NO RJ, ESSE VÍNCULO CRIADO É PARA VIDA, PORQUE ESSES USUÁRIOS NUNCA ESQUECEM. PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!

 

Ola.... Parabéns pelo trabalho.... estamos desenvolvendo um trabalho parecido aqui em Joinville.... trabalho em equipe é rico, mas um grande desafio... as vivências, convivências e experiências adquiridas são imensas.

Obrigada pela contribuição!!!

Abraços.

 

 

trabalho inovador  com intuito elaborativo e interativo