Saúde da Comunicação: atributo social

Saúde da Comunicação: atributo social

Nosso trabalho visa fornecer informações aos agentes comunitários de saúde e aos profissionais da Clínica da Família Dona Zica, Rio de Janeiro, informações sobre a importância de cuidados que todos devem tomar para promover, proteger e desenvolver uma comunicação potente que gere indivíduos críticos que possam ter acesso e lutar pelos direitos à saúde de forma integral. Para isso, estreitamos relações entre a Universidade e o Serviço, através de oficinas e vivências com alunos e docentes.
Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?: 

No Brasil, a inserção do fonoaudiólogo na rede pública ainda é escassa e concentra suas práticas predominantemente nos níveis secundário e terciário de atenção, embora seja sugerida uma grande demanda pelos serviços deste profissional na atenção básica. O conhecimento das características demográficas e de saúde da população à qual os profissionais se referenciam é um determinante do bom trabalho e da qualidade de resposta assistencial, mas são poucos os trabalhos de investigação sobre os distúrbios da comunicação. Entre as muitas atribuições do fonoaudiólogo que atua na atenção básica está a participação no processo de capacitação e educação permanente dos profissionais que constituem as equipes, visando à orientação transmitida para a comunidade e a identificação de possíveis distúrbios da comunicação.Objetivos: Realizar um diagnóstico situacional da comunicação e funções a ela relacionadas e da identificação das características sócio-demográficas e comportamentais da população referenciada por uma clínica da família. Iniciar um processo de capacitação de agentes comunitários de saúde e demais profissionais da equipe.Pretende-se realizar as entrevistas com os usuários no domicílio e, para tanto, foi elaborado um instrumento para coleta de dados, estruturado de forma a contemplar questões para a triagem das características da comunicação e funções a ela relacionadas, variáveis relativas às características sócio-demográficas e aos comportamentos e fatores de risco e proteção para esses problemas. A prevalência dos problemas de comunicação e funções relacionadas será estimada com base nos resultados das triagens, sendo exploradas associações com características sócio-demográficas, de estilo de vida e ambientais, em análises bivariadas e multivariadas. O processo de capacitação dos profissionais da clínica se dará em encontros quinzenais, realizados na Vila Olímpica da Mangueira. Espera-se conhecer o perfil sócio-demográfico e epidemiológico, quanto às características da comunicação dos usuários de uma clínica da família da cidade do Rio de Janeiro, visando à orientação de práticas de assistência efetivas e priorização dos problemas mais frequentes, à capacitação dos profissionais de saúde da clínica e, também, possibilitar o envolvimento e a vivência dos alunos de graduação do curso de fonoaudiologia na discussão e prática sobre os determinantes do processo saúde-doença.

 

Como funciona(ou) a experiência?: 

Este estudo propõe a realização de um diagnóstico situacional, a partir de uma triagem das características da comunicação e funções a ela relacionadas, bem como das características sócio-demográficas e comportamentais da população referenciada por uma Unidade de Saúde da cidade do Rio de Janeiro, através da parceria da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro,  com vistas a iniciar um processo de capacitação de agentes comunitários de saúde e demais profissionais das equipes para lidar com tais problemas, bem como possibilitar maior envolvimento dos alunos de graduação da fonoaudiologia em discussões e práticas sobre o processo de determinação da saúde e da doença. O propósito da parceria é realizar um diagnóstico situacional da comunicação humana e demais funções a ela relacionadas, entre os usuários cadastrados na Estratégia de Saúde da Família da Clínica da Família Dona Zica, na comunidade da Mangueira, no ano de 2013. Para isso, os agentes e demais profissionais da clínica junto aos docentes e alunos de Fonoaudiologia da UFRJ, vivenciam as seguintes fases: 

  1. Caracterizar a população de usuários da Clínica da Família Dona Zica quanto aos aspectos da comunicação e funções a ela relacionadas;
  2. Identificar os problemas de comunicação e funções relacionadas mais prevalentes entre os indivíduos da população de estudo, segundo sexo e faixa etária;
  3. Analisar as relações entre as características de saúde da comunicação e as variáveis sócio-demográficas, de estilo de vida e ambientais;
  4. Iniciar o processo de capacitação dos profissionais das equipes de saúde para identificar e lidar (orientar e encaminhar) com os problemas da comunicação;
  5. Implementar programas de prevenção dos problemas da comunicação e funções correlatas na unidade de saúde onde o estudo será realizado;
  6. Inserir os alunos do curso de fonoaudiologia nas práticas de pesquisa epidemiológica.

    Segundo dados fornecidos pela gerência da Clínica da Família Dona Zica, para o ano de 2013 há um total de 18332 usuários cadastrados, divididos em 5446 famílias.Trata-se de um estudo de base populacional em que se optou pela seleção da família como unidade de pesquisa, visto que o cadastro dos usuários da Clínica é feito desta forma.          

Desafios para o desenvolvimento: 

Durante o primeiro ano da experiência vivenciamos adaptações importantes a todos, como: a inserção dos alunos e docentes de fonoaudiologia dentro de uma clínica da família, vivendo o dia a dia do serviço, das atividades internas dos profissionais aos usuários, as atividades externas realizadas junto a comunidade; outro ponto de extrema relevância foi a relação estabelecida entre o grupo da universidade com os agentes comunitários de saúde, foi marcante o interesse desses em relação a conhecer e ampliar os conhecimentos deles em relação a atuação da Fonoaudiologia e o quanto que alguns cuidados desde da gestação podem beneficiar a comunicação e os sistemas envolvidos; tivemos que adaptar as oficinas de fonoaudiologia com os agentes aos horários e aos acontecimentos do dia a dia devido a intensidade de trabalhos e exigências aos cumprimentos aos serviços e resultados internos, muitas vezes a potencialização deles se deu no território, andando, conversando, vivenciando experiências juntos.

Quais as novidades?: 

Para alunos e docentes a grande novidade foi o universo sensório perceptivo da Fonoaudiologia na Saúde da Família. Não no lugar de uma especialidade, mas, lado a lado com os profissionais que se movimentam no território junto aos moradores e instituições que integram a comunidade. 

Outro ganho, foi a valorização das conversas da equipe, através das discussões e projetos terapêuticos, onde as diversas profissões da saúde e demais trabalhadores exercitaram e construíram um espaço de respeito, de acolhimento e de verdadeiro cuidado ao outro.

 

Outras observações/campo livre: 

Com as experiências que estamos produzindo nos encontros e espaços, esperamos conhecer o perfil sócio-demográfico e epidemiológico, quanto aos distúrbios da comunicação, dos usuários de uma unidade de saúde do Rio de Janeiro, visando à orientação de práticas de assistência efetivas e priorização dos problemas mais freqüentes, à capacitação dos profissionais de saúde da clínica e também, possibilitar o envolvimento e a vivência dos alunos de graduação do curso de fonoaudiologia na discussão e prática sobre os determinantes do processo saúde-doença, ampliando a importância do cuidado e da construção de projetos terapêuticos singulares.

Autores da experiência

NomeCategoria
Cláudia Maria de Lima GRaçaFonoaudiólogo
Lívia Maria Santiago Fonoaudiólogo

Atores da experiência

NomeCategoria
Olívia Cristina Fernandes HaeuslerApoiador
Arquivos anexados: 

Comentários

Caros autores. Embora vossa experiência seja um relato  em construção é louvável a aproximação da Universidade com a atenção básica, seu cotidiano de funcionamento e desafios diários. Torço que tenham êxito e possam mostrar os resultados no decorrer dos anos, pois a comunidade uma vez estimulada a participar, não aceita perder o que foi conquistado. Perseverem e construam o mundo de possibilidades que está fora dos muros das Universidades. Abraço. 

Parabéns pelo trabalho. desejo sucesso e reconhecimento dos gestores.

Gilda Magalhães

Parabéns pelo trabalho! Precisamos de mais experiências como essa nas Atenção Primária.