COMPARTILHANDO SABERES NUM GRUPO DE CUIDADORES FAMILIARES DE PESSOAS COM ALZHEIMER

COMPARTILHANDO SABERES NUM GRUPO DE CUIDADORES FAMILIARES DE PESSOAS COM ALZHEIMER

Compartilhar as experiências vivenciadas com uma pessoa acometida pela doença de Alzheimer (DA) na roda de conversa pode ajudar as famílias a cuidarem de sí e a conviverem melhor com o seu ente querido. Nesse contexto, o grupo Cuidando de Quem Cuida da Unidade Básica de Saúde de Candelária/SMS/Nata/RN tem desenvolvido desde 2001 um trabalho junto aos familiares que cuidam de pessoas com a doença de Alzheimer (DA) em seus vários aspectos tais como: emocional, física, cultural, social, e política.

Dados da Experiência

Local da experiência: 
Natal (RN)
Âmbito da experiência: 
Eixo temático: 
Envolve quais pontos / equipes da rede?: 
Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?: 

O grupo de apoio aos cuidadores familiares de pessoas com Alzheimer da Unidade de Saúde de Candelária é considerado, até o momento, pioneiro na Atenção Primaria no Nordeste. Nesse contexto, a UBS com o intuito de melhorar a qualidade de vida do cuidador familiar, vem oferecendo a esta clientela, um espaço que oportuniza um encontro semanal às terças- feiras para os familiares de pessoa com Alzheimer e outras demências. Portanto, o grupo Cuidando de Quem Cuida vem se tornando um espaço presencial importante de estudos, debates e discussões teórico-práticas. Esse espaço representa uma nova maneira de produzir conhecimento, e tem utilizando como método para movimentar a fala do cuidador a roda de conversa como um espaço privilegiado para a contação de historias destes.  A roda de conversa é uma tecnologia de cuidado simples, e eficaz e acontece em etapas, a saber: acolhimento dos cuidadores familiares, atividade de relaxamento, o e a escuta cuidadosa dos que chegam pela primeira vez e daqueles que já participam a mais tempo.  Na roda, os cuidadores expressam suas emoções e compartilham aprendizagens. Assim, o fortalecimento dos cuidadores diante dos desafios proporcionado pelo cuidar produz a revitalização da roda de conversa, que ocorre semanalmente.

Como funciona(ou) a experiência?: 

O grupo de cuidadores familiares de pessoas com a doença de Alzheimer surgiu partir da vivencia pessoal de uma enfermeira da Unidade Básica de Saúde de Candelária em Natal/RN, no ano de 2001 após o falecimento da sua genitora. A mesma percebeu que outros familiares já começavam a chegar a UBS na tentativa de encontrarem um espaço de escuta cuidadosa de suas “historias” que em sua maioria eram de dores, sofrimento e fragilidade. Assistir à degradação progressiva de um parente com DA é angustiante. Essa situação, além de destruir as lembranças passadas e presentes da vida da pessoa com DA, desestrutura a vida do cuidador familiar. Nesse contexto, o grupo Cuidando de Quem Cuida como é conhecido no municipio de Natal/RN, tornou-se um espaço essencial para possibilitar uma escuta cuidadosa e partilha de historias de cuidado dos familiares. 

Desafios para o desenvolvimento: 

O grupo de Cuidadores ainda é uma iniciativa de profissionais da UBS.Durante esses 11 anos o reconhecimento desse trabalho por parte das gestões municipais ainda é um desafio.  A parceria com as Universidades sejam estas publica com a UFRN  ou privada como a UNP tem favorecido o desenvolvimento das atividades do grupo.

Quais as novidades?: 

O grupo de familiares cuidadores de pessoas com Alzheimer vem se tornando um espaço presencial importante de estudos, debates e discussões teórico-práticas. Representa uma nova maneira de produzir conhecimento, a partir das experiências de cada cuidador familiar, colhidas nos encontros semanais que  ocorrem na Unidade Básica de Saúde de Candelaria/Natal/RN.

 

Autores da experiência

NomeCategoria
Maria Betânia Maciel da SilvaEnfermeiro
Lucia de Fátima CarvalhoPsicólogo
João Bosco FilhoEnfermeiro

Atores da experiência

NomeCategoria
Familiares de pessoas com a doença de AlzheimerUsuário da UBS
Lucia de Fátima CarvalhoPsicólogo
João Bosco FilhoEnfermeiro
Marisa Magaly SidonAssistente Social
Liege Mirna Vilela CândidoOutro
Khalil Leandro Maciel de OliveiraOutro
Jéssica de Melo Fernandes GonçalvesOutro
Galeria de Vídeos: 
Galeria de imagens: 

Comentários

O grupo cuidando de Quem Cuida da Unidade Basica de Saúde de Candelária, Natal/RN, tem contribuído para a formação da autonomia dos sujeitos, além de proporcionar a comunicação efetiva, promover laços de integração entre a tríade: serviço/ensino/ comunidade.  além disso, este tem sido motivo de orgulho para nós profissionais da Unidade Básica e a comunidade.

Parabéns, Betânia!O tempo só vem a fortalecer o seu lindo trabalho!

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Olá Maria Madalena!

Gratidão pelo comentário. Na verdade desde 2001, temos caminhado pela estrada do fortalecimento do grupo.Penso,que tem dado certo, pelo fato de visualizarmos com muita coragem os ganhos que nós profissionais temos tido com um serviço desse porte na Atenção Básica. Manter durante onze anos, o grupo de cuidadores de familiares de pessoas com a doença de Alzheimer tem sido para nós do serviço da UBS de Candelária, motivo de alegria!

TEMA DE GRANDE RELEVÂNCIA, ENTENDO QUE DEVERIA SER MELHOR EXPLORADO E DESCRITO PARA MAIOR COMPREENSÃO DOS LEITORES. FIQUEI COM MUITAS DÚVIDAS.

Olá Katia Rocha...

Vi seu comentário e gostaria de saber quais as dúvidas que você gostaria de esclarecer sobre o trabalho desenvovido com familiares de Alzheimer aqui em Natal! Acho que  esse espaço oportuniza a  respondermos os questiionamentos que porventura ficaram pouco claro para você.Gratidão, Maria Betania.

Olá Katia Rocha!

Gratidão pelo comentário. Estamos pela primeira vez participando de uma oportunidade de motrarmos o nosso trabalho, fruto de muita persistencia por sinal .Queríamos ter escrito mais, entretanto, tentamos deixar o texto um pouco menos denso, para que a leitura deste, instingasse os leitores a questionarem mais, sobre o mesmo! Por isso, agradecemos o seu comentário e aproveitamos para dizer-lhe que estamos aqui para maiores esclarecimentos.

TEMA DE SUMA RELEVÂNCIA NO ENTANTO ENTENDO QUE DEVERIA SER MELHOR EXPLORADO PARA DESPERTAR MAIS INTERESSE DOS LEITORES.

POUCO CLARO.

Então..gostaria de saber se abordam situações relacionadas a um plano de cuidados para o portador de alzaimer e seu cuidador, situações que podem facilitar o dia a dia e condução desta patologia intra domiciliar?

 

Bom dia Katia...

A pessoa acometida pela doença de Alzheimer, não adoece sozinha: a familia, adoece também! Pensando nisso, nós resolvemos fazer um trabalho voltado para as questões pertinentes ao cuidador familiar, que influenciam de forma iimportante no cuidado com o idoso que tem a doença.Então, tudo parte da demanda advinda daquele que cuida! A roda inicia sempre com uma escuta cuidadosa do cuidador familiar e ele nem sempre quer tirar dúvidas sobre a doença e/ou o cuidado com familiar doente. Geralmente, ele quer  saber: como eu me cuido para cuidar dele?Esse é um grande diferencial! O grupo não faz formação de cuidadores, mas informa a este a partír dos qestionamentos feito por estse, o que ele precisa naquele momento saber para poder elaborar o seu plano de cuidados! No grupo fortalecemos a idea de que ele é o dono de sua propria história, que esta é unica, más que a partir da escuta do outro ele também pode encontrar saídas e aí sim construir um plano que atenda as necessidades do doente de Alzheimer e a dele enquanto cuidador. 

Parabéns pelo seu maravilhoso trabalho!!!

Olá Daniele Mendes!

Nós que fazemos o trabalho no grupo de cuidadores, agradecemos pelo carinho!

Parabéns Betania e equipe. O tempo é o melhor filtro de avaliação de uma experiência. O relato de vcs está muito bem documentado. Esta falta de apoio dos gestores não é novidade mas sempre terá uma escola, uma universidade, uma Ong disposta a nos oferecer parceria. Vemos que o trabalho da equipe extrapolou os limites da UBS. Tenho certeza que pessoas de outros bairros e até de outros municípios já procuraram ajuda neste grupo! Betania, segue em frente, tenho certeza que esta experiência vai ajudar muitas pessoas a lidar com estas patologias! Só quem tem ou teve um familiar com Alzheimer, sabe a necessidade deste apoio! Vamos com certeza nos encontrar na exposicão em março! Parabéns a todos!

Te convido a olhar a minha experiencia, "Grupo da Linhaça - Dez Anos" e que, mesmo sendo de outra linha temática, é muito similar ao de vcs, pois é um grupo coeso que também passou pelo implacável "filtro do tempo" ! 

Abraço e Boa Sorte!

Homero Santoro - Médico da USF Tiroleza - Tramandai - RS

Bom dia Homero Santoro!

Primeiro gostaria de agradecer o comentário! É temos feito um trabalho com muito calor humano...E isso cremos que tenha contribuído para que pessoas de outras UBS, e até mesmo de outras cidades sejam da grande Natal e outros municípios do estado do RN, venham participar e conversar sobre o cuidado consigo para cuidar do outro que não é tarefa facil! Costumo dizer que em relação a doença a historia é a mesma ,e se repete para todos os familiares: a doença ainda é progressiva, não tem cura, más tem controle...Todos chegam ao nosso grupo com essa informação! E o que fazer com isso? Como essa pessoas estão lidando com essa informação? O que fazem com ela? Há muita dor e sofrimento...As pessoas reclamam muito que os cuidadores não são vistos, não são escutados...estão sempre muito fragilizados. Esta, tem sido a nossa escuta diária...Vimos que uma boa caminhada seria simplesmente fazermos uma escuta cuidadosa destes...Tem dado certo! 

Parabéns Betânia e equipe,

Que experiência bacana que vocês desenvolveram, os nossos olhos de profisiional mudam quando vivenciamos uma experiência pessoal, queremos levar para aqueles que não conhecem a doença, a maneira de tratar desse, os cuidadores necessitam desse espaço para sua escuta, pois realmente ficam muito fragilizados.

 

Olá Roseli!

Na verdade, temos vivenciado a experiencia da grupalidade na atividade com os cuidadores familiares de pessoas com a doença de Alzheimer. Fazer a escuta cuidadosa destes é primordial! Sobre a doença de Alzheimer temos matterial suficiente.Más quando se trata dos familiares, vemos uita solidão e medo do desconhecido! No grupo, aprendemos mais e mais a cada encontro, com a historia de cada um deles e a medida que vão falando, sentimos que estes vão se curando de suas dores que são muitas!

Adorei.

O diálogo entre as famílias e troca de experiências é algo fundamental para a saúde das mesmas! Parabéns!

Olá Leticia!

É verdade...O grupo se movimenta a partir dessa conversa constante! Nas conversas com o outro, nós temos aoportunidade de aprender com a experiencia deste...E como aprendemos com as histórias que ouvimos!

Parabéns pela iniciativa.

Espaços como estes são fundamentais na atenção primária, pois além do apoio aos nossos usuários para enfrentamento de suas dificuldades, conquistamos o reconhecimento de nossas ações de apoio clínico e enriquecemos nossos saberes pela troca de conhecimentos. Muito bom com o apoio matricial do profissional psicólogo para o manejo destes espaços. Ações como estas podem incentivar as políticas para a participação cada vez mais efetiva dos profissionais com diferentes saberes.

Olá pessoal!

Que pena que não foi possível nos amostrarmos! A falta de incentivo financeiro pesou muito e realmente não deu! Obrigado aos que partilharam os comentarios...Quem sabe num próximo, não faremos o que mais gostamos de fzaer: contar historia de um grupo que fez história nas terras Potiguares! gratidão a todos!!