O Novo Modelo de Saúde da Família - Impactos do PMAQ

O Novo Modelo de Saúde da Família - Impactos do PMAQ

Assim que nos deparamos com essa nova proposta de avaliação e intervenção na Atenção Básica – PMAQ – começamos a analisar de que forma poderíamos melhorar o processo de trabalho das equipes ESF/NASF de forma que pudéssemos organizar nossas ações para grupos ainda não alcançados dentro da nossa abrangência o resultado disso foi à melhora nas atividades coletivas de recuperação/promoção e prevenção à saúde, articulação dinâmica com a rede de saúde e notificação e registro detalhado das atividades.

Dados da Experiência

Local da experiência: 
Vitória de Santo Antão (PE)
Envolve quais pontos / equipes da rede?: 
Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?: 

Pelo processo de auto avaliação foi possível identificar onde a assistência e os registros estavam insipientes. Posteriormente foi realizada a Matriz de Intervenção com a Equipe da ESF e com os Residentes em Saúde da Família alocados na unidade. Percebemos que alguns programas e políticas públicas de saúde que são trabalhados na Atenção Básica não estavam sendo foco de ações interdisciplinares e que o registro e notificação de tratamento e acompanhamento dos usuários da unidade estavam faltosos.

Foi realizada a matriz e a partir dela surgiram algumas intervenções como:

ü  Grupos que abordem a população masculina e tratem de temas pertinentes da Política Nacional de Saúde do Homem;

ü  Desenvolvimento de estratégias que despontem a importância do conhecimento e do uso de fitoterápicos e acupuntura assim como de outras práticas integrativas;

ü  Articulação junto ao NASF para o desenvolvimento de ações educativas para a educação e tratamento dos que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas assim como dos familiares que o acompanham.

ü  Ampliação dos cadernos de registros onde são anotadas as medicações de controle especial pelos comunitários, vacinação das crianças e encaminhamentos para especialistas;

Feito isso, nosso objetivo foi transcrever para a prática o que tínhamos feito até então no papel. Como resultado, hoje disponibilizamos na unidade:

ü  Grupos de comunitários onde são desempenhadas atividades coletivas realizadas pelos profissionais de saúde da unidade e que atendem as políticas previstas na Atenção Básica incluindo Saúde do Homem e Saúde Mental;

ü  Atendimentos baseados nas premissas da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares são elas: Acupuntura onde existe um horário e dia específico para o tratamento segundo a acupuntura e Fitoterapia onde foi criada uma horta com fitoterápicos que tiveram seus efeitos e indicações explanados para os comunitários;

ü  Quanto à articulação junto ao NASF sobre  o atendimento aos usuários e familiares dos que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas, foi realizado junto aos Agentes Comunitários de Saúde pela equipe NASF uma capacitação para triagem dos grupos susceptíveis para possível acompanhamento junto também ao CAPS;

ü  Os registros que estavam faltosos foram colocados em cadernos específicos para que pudéssemos saber quais dos nossos usuários fazem uso de medicação controlada, durante a puericultura atualizamos nosso caderno que contem as vacina das crianças cadastradas e em caso de encaminhamentos o registro é feito no prontuário.

Os residentes em Saúde da Família atuaram diretamente em todas as etapas do processo de construção e intervenção das atividades relacionadas acima.

Como funciona(ou) a experiência?: 

Tivemos conhecimento do que deveria ser feito através gestão municipal de saúde.  A Secretaria de Saúde junto a Universidade Federal de Pernambuco desenvolveu uma capacitação com nós, Residentes em Saúde da Família, para que pudéssemos nos apropriar do programa e posteriormente, em reunião junto os profissionais de ESF e NASF, as etapas do programa foram apresentadas e as reuniões marcadas para que fosse feito o processo de auto-avaliação e construção da matriz de intervenção. Os recursos e apoio necessário foram dados pela gestão municipal para realização do trabalho que foi feita em torno de 3 meses e por enquanto aguardamos a visita da avaliação externa para verificar se nossas mudanças foram de fato satisfatórias frente a luz das diretrizes do programa. 

Desafios para o desenvolvimento: 

Dentre os principais desafios para a construção e implementação do processo, pode-se citar a autoavaliação e a sensibilização da equipe junto a necessidade e importância do desenvolvimento dessa atividade. Quando falamos em autoavaliação sempre é difícil atribuir notas para o serviço em que estamos inseridos e que atuamos como atores principais para sua efetivação, então observar as próprias fragilidades, avaliar e julgar as fragilidades do sistema não foi uma tarefa fácil, como residente, foi possível perceber onde as políticas de saúde são escassas e como é difícil torná-las efetivas no nosso cotidiano frente a inúmeras demandas atendidas à sua frente. Sensibilizar a equipe foi algo que foi construído com o tempo. As intervenções não foram realizadas somente pela avaliação realizada anteriormente como também pelos registros que foram solicitados para os ACSs e que nem sempre eram compreendidos em sua importância. Houve a tentativa de esclarecer junto a toda a Equipe de Saúde da Família, que era necessário a realização dessas investigações para que futuramente fosse possível fornecer mais qualidade na assistência prestada no nosso serviço.

Os entraves não pararam na equipe, na implementação do que foi criado na matriz, não encontramos a população completamente disposta a frequentar e comparecer as novas atividades que estávamos disponibilizando na unidade. Como o nosso dever como profissional não exclui o das pessoas de aceitarem o que o serviço oferece, a prioridade foi dada para aqueles que se interessaram nos serviços e participaram confiando que teriam como recompensa sua saúde e bem – estar físico, social e biológico.

Quais as novidades?: 

Foi muito útil observar, julgar e propor estratégias para melhorar o que deixamos ficar insipiente no serviço. Como resultado, chegamos à criação de novas estratégias, de novos recursos e instrumentos e também a sabedoria que nosso planejamento quando é realizado com base em um diagnóstico de situação, possivelmente terá grandes chances de ter o sucesso alcançado. Não fizemos nem propomos nada que não iríamos poder atender, foi difícil o processo de sensibilização, de criação em equipe, de intervir em grupos específicos... Enfim, o desconhecido se mostrou difícil, mas não impossível prova disso foi a constatação que nosso empenho em mudar o serviço e propor uma assistência com melhoras significativas para a população foi bem sucedido.

Como residente em Saúde da Família, a experiência foi muito desafiadora, porém motivadora logo, foi possível analisar sob um ponto de vista crítico o funcionamento do serviço dentro de parte de uma rede de saúde e atuar como transformadora dessa realidade.

Autores da experiência

NomeCategoria
Isabela Alves de SousaEnfermeiro

Comentários

Acho que é fundamental a auto-avaliação (AMAQ)  e a proposição de ações que melhorem as dificuldades apontadas. Essencial que este momento seja feito de forma coletiva com todos os integrantes da equipe. Parabéns pela iniciativa.