PERCEPÇÃO DE ENFERMEIRAS E ENFERMEIROS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA DE JOÃO PESSOA SOBRE O ACOLHIMENTO

PERCEPÇÃO DE ENFERMEIRAS E ENFERMEIROS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA DE JOÃO PESSOA SOBRE O ACOLHIMENTO

A partir da observação da insatisfação dos usuários com as filas e o precário atendimento surgiram inquietações e com ajuda de reflexões geradas nos espaços de gestão e estudos, constatei que o processo de trabalho da equipe é descomprometido com os processos de responsabilização social e produção de vínculo. Logo se faz pertinente considerar a percepção dos profissionais de enfermagem sobre o acolhimento, de modo a identificar potenciais, lacunas e desafios relevantes neste processo de dialogo.

Dados da Experiência

Local da experiência: 
João Pessoa (PB)
Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?: 

O acolhimento apresenta-se como um caminho capaz de operar mudanças na produção dos serviços de saúde visando à garantia do acesso universal e melhoria do cuidado, além de favorecer a relação usuário/profissional/serviço.A experiência teve como objetivo Analisar a percepção de enfermeiras e enfermeiros da estratégia saúde da família de João Pessoa-PB sobre o acolhimento. A produção do material empírico deu no mês de outubro do ano de 2012, com três enfermeiras de três unidade de Saúde da Família do Distrito Sanitário 1, na qual ainda não foi implantado o acolhimento. Utilizando-se um roteiro de entrevista contendo perguntas de corte, a conhecer: Como você enxerga o processo de implementação do acolhimento no município de João Pessoa e o acolhimento praticado em sua Unidade? Em que medida a implantação do acolhimento em sua Unidade irá trazer contribuições nesse sentido? O universo da pesquisa foi composto pelas três enfermeiras de serviços do Distrito sanitário 1 da rede de Atenção Básica à Saúde na cidade de João pessoa - PB.A escolha também se deve por ser cenário de atuação da pesquisadora por ocasião de acompanhamento enquanto apoiadora matricial de João Pessoa nos serviços de Atenção Básica à Saúde.Espera-se que o estudo contribua para despertar dos profissionais quanto ao atendimento mais acolhedor, humanizado e centrados no usuário, cujo foco é as suas necessidades apresentadas, pois, acredita-se que o atendimento pela priorização das situações e o encaminhamento mais resolutivo favorece a satisfação dos usuários.

Como funciona(ou) a experiência?: 

A secretaria Municipal de saúde de João pessoa junto aos apoiadores matriciais tem colocado em pauta a discussão sobre a necessidade de melhorar a atenção prestada pelos profissionais de saúde por meio do investimento na sua qualificação em acolhimento. Tal debate vem sendo realizado inclusive nas unidades onde ainda não foi implantado o acolhimento, desde então diversos estudos têm evidenciado a importância da Educação Permanente para qualificar o acolhimento no SUS e gerar inovações para a construção contra-hegemônica de modelos de saúde.Nossa pesquisa tratou-se de um estudo de campo, de natureza qualitativa, utilizando o Método do grupo focal como guia metodológico capaz de nos permitir procurar respostas às perguntas de pesquisa.A construção do material empírico foi realizada, após a aprovação da pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa e liberação da autorização da Secretária Municipal de Saúde de João Pessoa-PB.

Desafios para o desenvolvimento: 

Na direção da construção de uma rede de conversação, as enfermeiras apontaram para a necessidade de se criar espaços protegidos de reuniões das equipes para a reflexão e discussão sobre acolhimento: Nós temos reuniões de equipe semanais, mas não tem assunto de acolhimento, então sinto falta de reunião sobre acolhimento para compartilhar informações. Melhorar nosso processo de informação e de trabalho. De acordo com Mitre et al. , em estudo de revisão sobre o acolhimento, a ausência de reuniões para reflexão e discussão das equipes sobre a assistência prestada, seus limites e possibilidades foi apontado como um desafio do acolhimento para a qualificação e operacionalização.
Nessa direção, destaca-se a reflexão das enfermeiras sobre a experiência do grupo focal, que o apontaram como um espaço e momento importante para o debate sobre o acolhimento e levar para práticas cotidianas dos seus serviços: ?Eu estou achando muito interessante este grupo focal, porque é um espaço para a gente discutir com os colegas de trabalho, de estar discutindo e encontrando soluções para os problemas que estamos enfrentando (Enfermeira B)?.

Quais as novidades?: 

No desenvolvimento da pesquisa, identificou-se ainda que o espaço dos grupos propicia interação entre os sujeitos ? pesquisador e pesquisados. Ao mesmo tempo, indicou pistas para o processo de avaliação dos serviços de saúde, que, além da finalidade de produção do conhecimento, pode ser utilizada como instrumento de gestão. Em todas falas, houve solicitação manifesta dessa atividade de grupo focal ser realizada na rotina dos serviços.As enfermeiras, durante as discussões, destacaram demais aspectos diretamente relacionados ao seu processo de trabalho, com destaque para problemas que interferem na continuidade do atendimento, como insuficiência de equipamentos e infraestrutura precária a ambiência para se ter acolhimento.Na análise das falas das colaboradoras foi possível perceber alternativas de soluções para o problema de acesso, em bases de rendimento profissional, deslocam-se para questões de que não se restringe a quantas portas de entrada se dispõe, mas, sobretudo, interroga-se sua qualidade e que o acolhimento deve ser visto como um dispositivo potente para atender a exigência de acesso, propiciar vínculo entre equipe e população, trabalhador e usuário, questionar o processo de trabalho, desencadear cuidado integral e modificar o atendimento nas Unidades sem acolhimento. Os resultados deste estudo apontaram para a importância de instrumentalizar as equipes de unidades de saúde de João pessoa que ainda não tem implementado o acolhimento o incentivo para ações inovadoras por meio da Educação Permanente e pela criação de espaços protegidos para a reflexão e debate das equipes.

Outras observações/campo livre: 

Foi ressaltado pelas enfermeiras que no acolhimento o diálogo e o aprofundamento das equipes, diante dos impasses e limitações dos serviços daqueles relativos à pratica das mesmas podem auxiliar na superação do modelo ai encontrado sendo à luz do princípio da integralidade na produção do cuidado em detrimento ao que propomos durante esta pesquisa. Ficaram evidentes características singulares das unidades de cada enfermeira que participou desta pesquisa, relativas à organização do processo de trabalho, oferta e cobertura de serviços de atenção básica, à retaguarda especializada que repercutem diretamente no modo de operar de cada unidade de saúde. Por fim, acolhimento constitui-se como desafio na construção do cuidado integral e como elementos de fundamental importância para a gestão e avaliação de serviços.

Autores da experiência

NomeCategoria
Maria Verônica de AraújoApoiador

Atores da experiência

NomeCategoria
Odete Ferreira de SouzaEnfermeiro
Walda Iris G.de LimaEnfermeiro
Rosenilda Oliveira de LunaEnfermeiro
Arquivos anexados: 

Comentários

Oi Maria! Muito importante sua experiência! Convido-a a socializá-la também na RedeHumanizaSUS, a rede social da Política Nacional de Humanização. Abraços

Obrigada pela dica ...

Ok Sabrina obrigada pela dica ...Estarei sim matriciando em outros espaços...

Olá Maria

Muito interessante o compartilhamento deste trabalho de vocês, visto que o mesmo partiu de uma análise situacional para uma discussão crítico-propositiva e coletiva dos enfermeiros (as) de João Pessoa(PB) sobre o processo de ACOLHIMENTO.Além disso, o detalhamento da proposta, favorece que ela seja referência e exemplo para outros municípios. Além disso, vocês também relataram como a gestão e os profissionais das equipes receberam a propostas. Parabéns pela linda experiência em prol da qualificação das nossas práticas no SUS. Abraço. Violeta

Incorporando novas formas de escuta e olhares ampliados através da reorganização das agendas diárias: uma realidade ainda em andamento...

ótima dica Sabrina!

A foto também ficou ótima Maria, pois nos aproxima dos espaços de conversação/discussão de vocês! Grande abraço

Ficou muito bom, Maria Verônica! Esse tema é bem presente nas diversas realidades. Acredito que renderá uma boa discussão, especialmente sobre o desafio de sensibilizar os profissionais para a produção de vínculo.

O uso do grupo focal me pareceu uma estratégia muito boa e imagino que muitos tenham dúvidas de como fazê-lo. Assim, sua contribuição é muito importante! Nos vemos na Mostra! Beijo, Olívia.

Nesta experiência  sobre acolhimentodiscutimos também sobre a participação popular no contexto do trabalho em equipe... É uma efetiva incorporação dos princípios e diretrizes do SUS que ainda precisa ser discutida e transformada...

Concordo Olivia.

Seria interessante pensares de que forma apresentarias essa linda experiência de vocês? Abração

Seu relato está bem estruturado e tem relevância para o trabalho em saúde na APS. Parabéns!

Obrigada Vinicius Graff , diante do fluxo desordenado de atendimentos no município de João Pessoa, tornou-se necessário a implantação do Acolhimento com Escuta Qualificada nas unidades Básicas de Saúde, a fim de assistir a população através de um fluxo organizado de atendimento, promovendo mudanças nas práticas dos serviços, daí o fortalecimento de pesquisas como esta que utilizando de grupo focal rendeu uma discussão reflexiva de profissionais que lidam dia dia com a organização dos serviços e acredito ter tido um pouco de impacto...abraços...

A experiência se mostrou importante visto que o acolhimento é fundamental na organização e humanização dos serviços de saúde. Mas para que está ação seja mais efetiva na atenção primária é importante também a classificação de risco. Desta forma o acohimento com a classificação de risco, vai melhorar o acesso dos usuários aos serviços de saúde, propicionando melhorias da forma tradicional de entrada por filas e por ordem de chegada, aumentando a responsabilização dos profissionais de saúde em relação a priorização da atenção segundo a necessidade  e gravidade da situação de saúde dos pacientes.        A Classificação de risco torna-se uma ferramenta de organização, além de seu aspecto mais importante, a proposta de outra ordem de atendimento, que não a ordem de chegada. 

Carissima Rubia Barra o objetivo da pesquisa era focar a percepção das enfermeiras sobre o acolhimento a classificação de risco no tocante não seria a discussão em foco porém aconteceria por consequencia ...por ser uma estrategia dentro do acolhimento que propoe sim a organização dos serviços visto q sem ela não teriamos como priorizar atendimentos...contudo vejo o foco maior na alta complexidade ...pois retrato aqui a atenção básica( baixa complexidade) na pesquisa...enfim teremos uma discussão ampla de olhares onde acredito tudo ser experimento... se positivo ou não só os resultados dizem...abraços.

Excelente trabalho. O acolhimento tem que ser discutido nas reuniões da equipe. E deve ser praticado por todos os profissionais da Unidade de Saúde da Família, no caso desse relato. É importante frizar que para implementar o acolhimento não é necessário exclusivamente uma sala especifica. Ele se produz nos nossos atos e atitudes perante a população. Parabéns aos atores e autores desse brilhante trabalho.

 

Vamos nos amostrando...

 

AbraSUS!

Alexandre Bezerra Silva

Obrigada Alexandre Bezerra Silva

Prezada Maria Verônica, é que em Uberlândia, nós tivemos a exeperiência de implantar o Acolhimento com Classificação de Risco em todos os pontos de atenção, inclusive na Atenção Primária. O Acolhimento com classificação de risco, não pode ser apenas nos Prontos Atendimentos, pois dentro do aconceito de acessibilidade, o paciente deve ser atendido o mais próximo de sua casa. Sendo que uma Rede de Urgência e Emergência bem planejada, com o apoio logistico eficiente, permite que o primeiro atendimento possa ser feito na atenção primária e o paciente ser encaminhado com segurança para outros pontos de atenção de maior complexidade.  O fato do trabalho não estar discutindo a Classificação de Risco, não invalida a rica experiência de vocês. As colocações foram no sentido de demonstrar que a classificação de risco pode agregar valor a prática de vocês.

Parabéns pela sua experiência Rubia em Uberlândia ...Acredito não ter sido clara na minha resposta a sua observação...enfim entendo sua colocação e repito uma coisa é discutir a percepçao e conceitos arraigados q os enfermeiros de João pessoa traz dentro da minha pesquisa e outra é saber o que o MS preconiza dentro de suas ferramentas de estrategia de acolhimento a resolutividade p o caos da organização dos serviços em saúde ...Visto que nas tecnologias leves e duras nem sempre temos exito no q diz respeito ao "ACOLHIMENTO" construido apartir do território e o ACOLHIMENTO da PNH...Enfim espero pessoalmente debatermos sobre nossas experiências AbraSUS para ti.

Parabenizo o relato e seus autores. A percepção é o primeiro passo para propormos ações de melhorias nos serviços de saúde,visando sempre a resolutividade do serviço e o bem estar dos usuários do sistema.

Isso Terezinha se não partimos do principio de onde entendemos o que fazemos e para que fazemos nada caminha e diagnósticar através da percepção e da construção de conceitos é o começo...

Excelente trabalho! De muita relevância para o desenvolvimento do trabalho na AB. Em minha experiência, a compreensão de acolhimento ainda me parece estar limitada à práticas de recepção e ambiência, quando a discussão deve ser mais aprofundada para gerar efeitos na relação equipe-usuário-território. 

Parabéns e até lá! 

É bem por ai mesmo Luara e como temos ainda q crescer é uma discussão de tamanha validade ...Pois nosso Brasil é carente de acolhimento em todos os sentidos...