A Capacitação do Agente Comunitário como Agente de Inclusão da Pessoa com Deficiência

A Capacitação do Agente Comunitário como Agente de Inclusão da Pessoa com Deficiência

Este projeto foi elaborado com o intuito de capacitar cidadãos como agentes de inclusão, visando contribuir na promoção e defesa dos direitos da pessoa com deficiência no município de Barra Mansa, buscando dar viabilidade e um acesso mais fácil a informações ás pessoas com deficiência e seus familiares, que muitas vezes têm seus direitos humanos extirpados e desrespeitados, em todos os seus aspectos: social, político, econômico e cultural.

Dados da Experiência

Local da experiência: 
Barra Mansa (RJ)
Âmbito da experiência: 
Envolve quais pontos / equipes da rede?: 
Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?: 

As Pessoas com Deficiência no município de Barra Mansa vêm enfrentando algumas barreiras. Além das constatadas mundialmente, contra sua participação como membros iguais na sociedade e das violações dos seus direitos, citados no texto da convenção em seu preâmbulo, podemos citar também: os aspectos geográficos, onde o município possui uma topografia bastante acidentada, a maior parte da população em vulnerabilidade encontra-se em morros e em outras regiões de isolamento geográfico, que em pesquisa realiza pela (OPS, 2003), no Brasil, este isolamento geográfico foi considerado como fator para exclusão social. Salientamos também que a maioria vive em condições de pobreza, e este fator sobre suas condições torna-se um impacto negativo.  

Como funciona(ou) a experiência?: 

 Entende-se que, a capacitação de agentes de inclusão, perpassando por todos os temas elencados na convenção dos direitos da pessoa deficiência permitirá a construção de estratégias no enfrentamento de problemas específicos e dos problemas comuns no território local. 

       Assim a Equipe do NASF, que naquele momento, contava com uma psicóloga, uma fonoaudióloga e um fisioterapeuta realizou a capacitação com enfoque nas práticas já realizadas pelos ACS e de como seria essa projeção desde o acolhimento até as visitas domiciares, levando em conta as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência, desde as barreiras físicas envolvendo a acessibilidade até á dificuldade de acesso á informações de seus direitos.

      Realizamos então, 3 oficinas, sendo uma por semana, no mês de julho de 2013.

 1ª O acolhimento da Pessoa com deficiência

 2ª A Convenção sobre os direitos da Pessoa com deficiência e seu protocolo facultativo

3ª Visita Institucional aos equipamentos públicos da Rede de Assistência à Pessoa com deficiência

    

Realizamos a capacitação com enfoque nos seguintes temas:

 1- Mulheres e crianças com deficiência; 2- Acessibilidade física; 3-Acesso à Justiça; reconhecimento igual perante a lei; 4- Liberdade e segurança da pessoa; 5-prevenção contra tortura e tratamentos cruéis; 6-Vida independente e inclusão na comunidade. 7-Liberdade de expressão e acesso à informações; 8-  Inclusão Digital; 9- Educação da Pessoa com Deficiência; 10- Saúde da Pessoa com Deficiência;11- Habilitação e Reabilitação; 12- Trabalho, emprego e formação da pessoa com deficiência; 14-A inclusão no Esporte;  15- Os equipamentos públicos e conveniados existente hoje no município na atenção à Pessoa com deficiência: suas finalidades e formas de acesso.

Desafios para o desenvolvimento: 

Encontramos dificulldades principalmente pela falta de publicação de literaturas de educação disponibilizadas em Braile, a falta de profissionais capacitados em Braile dentro da Equipe de Estratégia da Família, Flata de acessibilidade às USF's

Quais as novidades?: 

A vivência de um acolhimento voltado para a pessoa com deficiência, realmente é um desafio para toda a Equipe, porém através da problematização realizada várias estratégias foram expostas pelos ACS, e uma nova proposta de quantificação e qualificação das barreiras encontradas pelas pessoas com deficiência até o acesso á RAS, e à USF. 

       Realizamos a oficina em 3 etapas: 

1) O Acolhimento da Pessoa com deficiência: através da vivência das principais deficiências: motora, visual e auditiva.

     Na motora: pedimos que uma das 12 ACS pudesse chegar até a unidade de cadeira de rodas, e outra pudesse realizar o acolhimento. Pedimos então para a ACS, desde a rua, no momento cadeirante, pudesse chegar até a Unidade, perguntar sobre alguns serviços, para que a mesma pudesse acessar toda a unidade. como: - Tenho um curativo no pé para fazer, tem como fazer agora? estou com um problema odontológico, gostaria que o dentista pudesse dar uma olhada, tem como? Eu tenho prioridade ao atendimento médico?

    Na auditiva: colocamos um vedador auricular para simular uam perda auditiva, e usamos a mesma condição, uma das agentes vivenciava e a outra realizava o acolhimento, naquele momento a equipe do NASF, começou a falar bem alto na recepção, para ver a reação da ACS que realizava o atendimento, simulando que principalmente os idosos que tem baixa audição, muitas vezes não contam com a compreensão até mesmo dos próprios usuários que acessam a unidade.

Na visual: Vedamos a visão de uma das ACS e pedimos para que a mesma gritasse desde a rua por ajuda, e ficamos aguardando a reação, colocamos alguns obstáculos e observamos se a ACS teria o cuidado de informar as barreiras e pudesse circular pela unidade, pedindo para ir ao banheiro, e acessar outras áreas da Unidade.

 Após a realização da capacitação, pedimos para que as ACS, pudessem se organizar em dois grupos, naquele momento contavamos com a participação de 11 agentes comunitários, sendo 5 da USF de Vila Elmira e 6 USF de Paraíso de Baixo e pudessem responder as seguintes perguntas: 1) Quais as principais dificuldades encontradas? Quais ações provocariam mudanças no cenário atual e quais seriam os primeiros passos? 

   Atores do relato: Logo após as mesmas elencaram as difuldades, muitas se emocionaram com a vivência, e uma das seguintes falas foram ouvidas, pela ACS Marilze: " Não tinha noção das dificuldades que estes usuários enfrentam, desde a saída de suas casas, até receberem um atendimento digno por nossa equipe". Fernanda:  "Acho até melhor que eles fiquem em casa e nós possamos ir até eles, estou envergonhada, nossa unidade não possui acessibilidade e nem está preparada para um bom atendimento" 

   

       

Autores da experiência

NomeCategoria
Wesley Abel MarianoFisioterapeuta

Atores da experiência

NomeCategoria
Camila Gomes JudiceFonoaudiólogo

Comentários

Muito bom, Wesley Ficou bem vivo e claro seu relato! Penso que agora, seria interessante concluir com as impressões dos autores sobre a experiência e relatar se esse trabalho gerou alguma mudança nas unidades em termos de desencadeamento de ações (ex foi a possibilidade de melhorar a acessibilidade pelo trabalho do serralheiro, que vc havia relatado )

Olá Carminha,

                       Foi uma pena não ter conseguido realizar todas as suas orientações, e não ter tempo hábil mais para realzá-los, estive passando por uma série de problemas, incluive de ordem pessoal, mas gostaria de agradecê-la pelo interesse até aqui. Muito Obrigado!

 

olá Wesley Como postei há 5 dias um comentário, não consigo ter certeza que vc o leu!Penso que seu relato está bem completo e talvez concluí-lo com suas impressões e contar como a capacitação impactou na unidade par considerá-lo pronto O que lhe parece??

Olá Wesley

Parece-me que não foi possível para vc continuar nossa conversa e irmos "curando" seu relato Penso que ele é bastante interessante e como já havia lhe dito, acho que está  bem completo e talvez por isso, vc não tenha sentido a necessidade de incluir outras explicações De toda forma, vc ainda poderá editá-lo até o final de outubro mas considero que o processo de curadoria está concluído Boa sorte na avaliação, espero vê-lo na IV Mostra em março de 2014

AH! Talvez fosse interessante vc excluir um dos relatos pois ele ainda está aparecendo duplicado

AbraSUS Carminha

Muito bom esse relato, gostaria  saber quais foram os resultados encontrados as dificuldades...e como foi a recpção da comunidade com o projeto?

Olá Keila de Oliveira,

                                 O resultado mais evidente que pudemos visualizar, foi a percepção de uma nova conduta pelos ACS's quando tocamos no assunto Pessoa com Deficiência, inclusive até mesmo a forma de designá-los, percebíamos muito a fala "Aquele homem que não tem uma perna da ACS fulana está aí, ou até mesmo o ceguinho da Rua: 16, durante a capacitação colocávamos sempre em evidência a vivência e perguntávamos se seria aquela forma que elas gostariam de ser designadas. Sempre falam agora, e até mesmo corrigem quando alguém se refere à estes como: " o aleijado" o "portador". Parece ser muito simplório esta designação, mas se a partir dela que seria praticamente um início de um acolhimento humanizado não ocorrer, já instalamos desde então uma forma de preconceito. Fora que o próprio relato dos usuários com deficiência é de uma unidade mais acolhedora às "diferenças" achei isto muito gratificante.

Grande abraço!

Olá muito bom este realato,gostaria de saber qual o maior desafio que as agentes enfrentaram ao realizar esta experiência,em que momento foi percebido estou deficiente? Só a dificuldade do acesso ou incluiu outros fatores,de infra-instrutura,psicológicos.

 

Olá Shirley dos Santos,

               Em todo o momento durante a vivência nós que estávamos organizando chamavamos a atenção para a seriedade do trabalho, e procuravamos um ambiente "leve", porém sempre com o cuidado para que não se tornasse um momento de descontração.                Preparamos um ambiente para que realmente a deficiência fosse completa. Diante por exemplo da percepção que a porta de entrada do consultório médico não era acessível, e viamos a mobilização das outras para tentar ajudar, e naquele momento elas chegaram a conclusão de que se elas a retirassem da cadeira de rodas e a colocassem em uma cadeira comum e fossem empurrando da porta até o consultório seria mais fácil, então uma falava com outra e seguraram uma de um lado outra de outro com forç,a como se tivessem pegando um objeto e ficaram suadas e cansadas e relatavam alto: " Nossa pelo amor de Deus que dificuldade" dentre outras frases, o outro grupo de ACS observavam e iam anotando o que pensavam que poderia melhorar.

          Posso lembrar como se fosse hoje a fala de uma das ACS, " Gente! Como estamos despreparados para oferecer no mínimo um atendimento com dignidade. Então a ACS que passava por pessoa com deficiência relatou: " Me senti um objeto, estou toda dolorida da forma com que pegavam, e me senti muito mal, frases como: pega lá, puxa a perna, arrasta, arruma! tá torto. Nossa tô quebrada! Isso na vicência da deficiência física, e nas outras também os relatos foram muito ricos, incluindo sempre os fatores psicológicos,

Olá Wesley

Sem problema! Como já havia lhe dito seu relato está muito bom e é um tema instigante! Lidar com as diferenças não é tarefa fácil, lidar com nossos preconceitos idem, portanto seu trabalho traz essa marca Ajudar a  ACS a se ver, ver as pessoas com deficiencia de forma mais acolhedora é uma grande experiência Pena que não tenhamos conseguido incluir as sugestões finais mas esteja certo que seu trabalho ficou muito bom, mesmo sem essasinclusões,  vc pode ver pelos comentários que apareceram Espero que vc tenha superado seus problemas e espero encontrá-lo em março na Mostra 

Grande abraço Carminha

Olá Carminha!

Eu ainda posso realizar a avaliação entre pares? Como posso fazer?

Muito legal o seu relato, na maioria da vezes o cotidiano nos ensinam de como não devemos agir e a sua experiência demonstra isso. Os profissionais da saúde vivenciam as deficiencias como sendo limitações e exclusividade do paciente  e ou usuários.

Quanto ao relato deixa claro as etapas do processo. a linguagem é a cessível, mas sentir falta dos registros dessa prática como também a valaliação dos participantes.

A sua experiência é bastante rica e sugere outra forma de pensarmos como introduzir o tema de Atenção a saúde de pessoas com deficiência na Atenção Primária.

Grata.

Mayave Vieira

Olá Mayave Viera,

                             Pura verdade o que você disse, foi muito bom ver os ACS observarem, que na verdade, o maior problema não era a deficiência, mas sim o espaço e a assistência é que eram deficientes para recebê-los. Sendo assim, poderíamos contribuir bastante para que mudanças pudessem acontecer e esta co-responsabilização poderia contribuir bastante para a humanização do atendimento á pessoa com deficiência.

                             Acredito muito, que ainda chegaremos através da Atenção Primária, deixar este estigma que estamos tratando de sequelados, e de portadores de qualquer condição, mas antes de mais nada de pessoas com as mesmas necessidades de saúde além da deficiência.

Olá Wesley

Vc já deve ter recebido os 5 relatos para avaliar; se isso não ocorreu me avise, pois todos que inscreveram relatos na IV Mostra estão habilitados a etapa Avaliação entre Pares mesmo não tendo concluído a curadoria

Vc pode tbém ir direto à ajuda na comunidade e perguntar sobre seus relatos para avaliar

ABRASUS e boa sorte! Carminha

Olá  Carminha,

   Não recebi os 5 relatos. Tem como me ajudar?

Obrigado!

Olá Wesley Qdo vc entra fazendo seu login na página da Comunidade de Práticas não aparece os relatos que vc deve avaliar?Se não, acho que vc deve entrar  aqui no final da tela a sua direita, onde aparece " Precisa de ajuda?" Já encaminhei tbém sua questão a minha coordenação, espero que vc receba logo pois terá até dia 13/12 para avaliar

AbraSUS Carminha

Gostei desse relato, fiz a mesma experiência com os ACSs da minha USF na semana do idoso. A experiência foi muito bacana e contribui para que o profissional se coloque no lugar do usuário. O teu relato ficaria mais rico se explorasse mais a percepção do ACS e o que mudadaria apartir dessa experiência. Abraço, Silvete

Muito bom esse relato. Essa experiência é muito importante, principalmente em relação a deficiência física, já que nosso país encontra-se em descaso com essas pessoas.

Relevante a temática e sua repercussão para a prática do ACS. Sugiro rever o termo "Capacitação".

Excelente contribuição.

 

Abraços!