Projeto Meio Ambiente nas Escolas – Protetores da Natureza

Projeto Meio Ambiente nas Escolas – Protetores da Natureza

Este projeto relata experiências de atividades lúdicas e teóricas de conteúdo ambiental com foco na promoção e prevenção à saúde realizadas com alunos do ensino fundamental I e II, realizadas pelo Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS SPDM/PAIS) em escolas públicas da cidade de São Paulo. As atividades são realizadas por profissionais da Estratégia Saúde da Família, alinhando conceitos de preservação ambiental, cuidado com o território, promoção da qualidade de vida e cuidado com a saúde.

Dados da Experiência

Local da experiência: 
São Paulo (SP)
Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?: 

A experiência relata uma das diversas atividades desenvolvidas pelo PAVS (Programa Ambientes Verdes e Saudáveis) em conjunto com profissionais da Estratégia Saúde da Família em Unidades Básicas de Saúde no município de São Paulo.

O Projeto Meio Ambiente nas Escolas acontece na Escola Municipal de Ensino Fundamental Victor Civita, unidade de ensino situada no território da UBS Alpes do Jaraguá desde 2010 e na Escola Estadual Eduardo Prado situada no território da UBS Brás, desde 2012 onde são desenvolvidas atividades de promoção e prevenção à saúde por meio de temáticas ambientais com alunos, professores e pais de alunos.

As atividades com os alunos versavam sobre questões como as mudanças ambientais globais, e uso racional de água e energia, geração e destinação correta dos resíduos sólidos urbanos, incluindo estratégias de redução, reutilização e reciclagem, a convivência com animais sinantrópicos (ratos, baratas, pombos, escorpiões, moscas, mosquitos, etc) incluindo hábitos e ciclo de vida, comportamento e os riscos à saúde apresentados por estes animais. Combate ao desperdício de alimentos dentro e fora da escola e o incentivo a práticas mais saudáveis de alimentação. As transformações no corpo, a sexualidade, gravidez na adolescência e métodos contraceptivos, entre outros assuntos, sempre com o objetivo de promover a saúde dos alunos, a qualidade de vida e ambientes mais saudáveis.

Com os professores, as atividades desenvolvidas trataram de esclarecer sobre o funcionamento de rede de saúde e a maneira de encaminhar alunos para o acompanhamento médico, o calendário de vacinação e as dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos.

Com os pais destes alunos, atividades sobre alimentação saudável foram realizadas visando diminuir o índice de alunos que substituíam a alimentação oferecida pela escola por guloseimas.

Nas duas escolas, entre abril e junho de 2013, desenvolvemos também o projeto piloto “Protetores da Natureza”. De forma totalmente lúdica e interativa com os alunos, as atividades foram organizadas em módulos “Água, Ar, Fogo e Terra”, ao mesmo tempo em que eram trabalhados conceitos ambientais como a poluição das águas e a preservação da mata ciliar, a poluição do ar, a produção e a destinação dos resíduos e a extinção de animais. Conceitos de saúde como as doenças de veiculação hídrica, os problemas respiratórios e as dermatites, verminoses e distúrbios gastrointestinais que podem ter o lixo como origem, através dos animais sinantrópicos, eram trabalhados aliados as questões de cidadania e cooperativismo, uma vez que, as atividades propostas desenvolviam nos alunos a cooperação e o trabalho em grupo para alcançar os objetivos propostos.

Ao término das atividades dos quatro módulos, os alunos foram nomeados Protetores da Natureza e foram estimulados a desenvolverem um projeto prático na escola ou bo território sobre o tema. A Escola Estadual Eduardo Prado, os alunos iniciaram uma horta comunitária no local. Alguns professores, também inseriram em seus conteúdos programáticos os temas abordados durante as atividades do projeto.

Como funciona(ou) a experiência?: 

As atividades desenvolvidas no âmbito do projeto “Meio Ambiente nas Escolas”, são construídas pelos membros das equipes de Saúde da Família (Agentes Comunitários de Saúde, Auxiliares de Enfermagem, Enfermeiro e Médico) em consonância com os profissionais do PAVS (Agente de Promoção Ambiental e Gestor Ambiental) e das escolas parceiras (geralmente direção e coordenação pedagógica, em alguns casos os professores também). Após o estabelecimento das parcerias com as escolas, o projeto é apresentado à direção e coordenação pedagógica que juntos participam da escolha das séries/anos que serão contempladas e quais os assuntos de maior relevância para este público. A Equipe de Saúde da Família, PAVS e dependendo das atividades, os Agentes de Controle de Zoonoses e NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) organizam suas agendas de trabalho, em forma de escalas para que o trabalho seja realizado com freqüência semanal ou quinzenal, nos períodos da manhã e/ou da tarde, as atividades são realizadas com duas ou três turmas de alunos, do primeiro ao nono ano do ensino fundamental.

Nas unidades de saúde onde as atividades são realizadas, há o claro apoio de suas gerências administrativas e também da direção das unidades de ensino. Embora a experiência seja local, o projeto conta o apoio da Coordenação da Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, responsável pelo PAVS no âmbito do município. Este projeto também reforça as intenções e as necessidades da intersetorialidade, ao ponto em que saúde e educação se unem, saem fortalecidas, promovem e melhoram a saúde da população, e potencializam o processo ensino-aprendizagem já desenvolvido pelas escolas apresentando um novo olhar na promoção à saúde e na forma de fazer educação.

O projeto piloto “Protetores da Natureza”, nasce por iniciativa da Diretoria de Educação Permanente/Coordenação de Sustentabilidade da Organização Social de Saúde SPDM/PAIS – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina/Programa de Atenção Integral à Saúde, instituição responsável pela gestão das Unidades Básicas de Saúde Alpes do Jaraguá e Brás, com o intuito de criar uma ferramenta de monitoramento e avaliação das atividades desenvolvidas nas escolas parceiras.

Desta forma, as atividades foram organizadas em quatro módulos: Água, Ar, Fogo e Terra, e desenvolvidas somente com alunos das 5ª séries, das duas escolas, com encontros semanais por quatro semanas. Ao término de cada atividade, os alunos avaliavam as atividades, usando máscaras de “smiles” para dizer se gostaram da atividade (smile amarelo com um sorriso), se acharam a atividade mais ou menos (smile cinza sem sorriso) ou também para demonstrarem que não gostaram da atividade (smile vermelho som sorriso).

Desafios para o desenvolvimento: 

Um dos primeiros desafios é a compreensão da importância da atividade desenvolvida com os alunos, professores e pais de alunos, por parte dos profissionais da Equipe de Saúde da Família, a falta do “olhar ampliado”, de modo a compreender que o projeto também é uma estratégia de promoção e prevenção à saúde criam algumas dificuldades no começo, que depois são contornadas, principalmente quando os resultados começam a aparecer. Do outro lado da parceria, a mesma dificuldade é vista dentro da escola, quando alguns professores não encontram conexão entre as atividades do projeto e o conteúdo programático, dificuldade facilmente esclarecida pelo professor de ciências e por outros mais envolvidos com a proposta, uma vez que as atividades propostas se enquadram nos eixos transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais.

Tanto nas UBS quanto nas escolas, aprendemos ser importante à construção coletiva da proposta identificando as melhores estratégias de atuação, propiciando a colaboração e o senso de apropriação dos profissionais envolvidos.

Quais as novidades?: 

Com o desenvolvimento do projeto ele foi sendo aperfeiçoado, contando com além da participação do Agente Comunitário de Saúde, Agente de Promoção Ambiental e Gestor Ambiental, de outros profissionais como Agentes de Controle de Zoonoses, equipe multidisciplinar do NASF, outros membros da equipe de Saúde da Família e gerência da UBS, dependendo da atividade.

O projeto traz para a UBS um novo jeito de fazer e promover saúde, um novo olhar para a promoção da qualidade de vida e da preservação ambiental. Para a equipe de Saúde da Família, as atividades nas escolas atingem um público que dificilmente vai à unidade de saúde, salvo casos pontuais, como consultas agendadas e atualização da caderneta de vacina, por exemplo. É a oportunidade de conversar sobre saúde, prevenção, promoção e qualidade de vida no ambiente escolar, onde os alunos estão aguardando por formação, querendo desenvolver seus conhecimentos, suas habilidades e competências facilitando o desenvolvimento das atividades propostas.

Para as escolas parceiras, o projeto visa complementar o conteúdo programático, apresentar um novo olhar sobre o mesmo assunto, um novo contexto, apresentar aos alunos que a fumaça que sai dos carros vai muito além da emissão de gases de efeito estufa e que um saquinho de lixo colocado na rua fora do horário da coleta gera problemas que vão muito além dos cachorros que rasgam estes saquinhos e espalham o lixo. Tudo isso e muito mais afeta a nossa saúde. É o outro lado do problema ambiental apresentado para alunos e professores, no contexto de como um problema ambiental afeta a minha vida e em especial minha saúde.

O projeto fortalece a intersetorialidade e as redes locais de parcerias que são essenciais aos trabalhos desenvolvidos nas áreas de abrangência e influência da Estratégia Saúde da Família. O estabelecimento de vínculos entre Saúde e Educação contribuem com o desenvolvimento de ambas as áreas e promove qualidade de vida e ambientes mais saudáveis, formando cidadãos cada vez mais conscientes do seu papel na sociedade.

Outras observações/campo livre: 

Descrição das atividades do Projeto – Piloto Protetores da Natureza

Módulo Água:

A proposta da atividade é desenvolver nos participantes idéias sobre a importância da preservação da mata ciliar e da poluição e conservação dos rios e córregos do bairro, desenvolvendo o senso critico por meio da atividade Dinâmica da Mata Ciliar.

A atividade foi desenvolvida com a representação de um rio com diversos desenhos de seres aquáticos produzidos pelos alunos (peixes, anfíbios e jacarés). Os alunos representados com crachás de arvores foram dispostos ao longo da margem do rio simbolizando a mata ciliar. Outros alunos tinham a função de jogar dejetos nos rios simbolizando a poluição que os mesmos sofrem. Conforme o rio ia sendo poluído, algumas árvores eram retiradas simbolizando o desmatamento e a degradação da mata ciliar e os seres aquáticos eram substituídos por seres mortos e lixo.

Ao término da atividade uma reflexão foi realizada sobre a atual situação dos rios e córregos da região e como cada um pode contribuir na melhoria destes espaços.

Módulo Ar:

A proposta da atividade é estimular a reflexão sobre a poluição do ar e os agravos a saúde.

Os alunos foram divididos em grupos e participaram de um jogo de tabuleiro com perguntas e respostas sobre poluição do ar. Os grupos caminhavam ao longo do tabuleiro e respondendo as perguntas propostas, sendo o vencedor o grupo que finalizasse primeiro o percurso.

A atividade pretendia estimular o senso de cooperação e trabalho em grupo por meio da necessidade de articulação entre a equipe.

 Ao término das atividades os alunos puderam refletir sobre os efeitos nocivos provocados pela poluição à saúde e ao meio ambiente.

Módulo fogo:

A proposta da atividade era a reflexão sobre a geração e o descarte dos resíduos usando como norteador os 3R´s (Reduzir, Reutilizar e Reciclar).

Os alunos foram divididos em grupos e tinham que se atentar as pistas fornecidas para responder as charadas que tratavam sobre diversos tipos de resíduos.

Após esta atividade foi apresentado aos mesmos diversos tipos de materiais que deveriam ser lançados nas lixeiras correspondentes para cada tipo de resíduo, como em um jogo de basquete.

Ao término das atividades os alunos puderam refletir sobre a geração, descarte e deposição final dos resíduos gerados, estando aptos a identificar situações de descarte inadequado no bairro onde residem bem como agravos a saúde e ao meio ambiente.

Módulo Terra:

A proposta da atividade era refletir sobre a biodiversidade, extinção dos animais e estimular o trabalho em equipe.

A dinâmica realizada foi a do Muriqui, um primata nativo da Mata Atlântica que para se proteger dos predadores/caçadores se mantém em grupos dando a impressão de ser um animal maio do que realmente é, sendo um exemplo de cooperativismo.

Os alunos deveriam se reunir protegendo uns aos outros do ataque dos predadores/caçadores.

Ao término das atividades os alunos puderam refletir sobre a importância do trabalho em grupo, do respeito ao outro e da importância da preservação dos ambientes naturais e de toda a sua biodiversidade.

Autores da experiência

NomeCategoria
Edson Manoel dos SantosGestor
Juliana DamianiGestor
Maria Eliane BascuneGestor

Atores da experiência

NomeCategoria
Ana Paula NerisOutro
Clara Soler Jacq Gestor
Denise Oliveira Souza Gestor
Elisângela Alves Maia Gestor
Evelise Pereira Barboza Gestor
Fábio Kinker Caliendo Benzi Gestor
Kátia Beatrice Pereira da Cunha Andrade Gestor
Kelly Fernandes Rocha Gestor
Luciana Aparecida Vidal da Silva Outro
Margareth Souza Outro
Maria Encarnação Porteiro
Marilza Trevisan Maiochi Outro
Narel de Oliveira Futema Outro
Rafael Quintino da Silva Gestor
Rachel Eny Arruda Bonomo CostaGestor
Silvia Rosito Oliani Pontes Gestor
Tatiane Oliveira do Nascimento Outro
Galeria de imagens: 

Comentários

Oi Edson, muito prazer! 

Que bom que você está compartilhando a sua experiência conosco. 

Meu nome é Michelle Sequeira e junto com a  Mônica Rocha, somos curadores da IV Mostra! Estou escrevendo para saber do seu interesse em participar do processo de curadoria. A Curadoria não é obrigatória e a ideia é que possamos conversar através da plataforma da Comunidade de Práticas, com o intuito de possibilitar que o relato da sua experiência mostre todas as suas possibilidades. 

E aí, você topa? Caso positivo, preciso que você responda essa mensagem em até 5 dias corridos. Após esse período, precisaremos passar para um novo relato de experiência, para garantir o acesso do maior número de participantes. 

Ficamos no aguardo do seu retorno. 

Abraços! 

Michelle Sequeira e Mônica Rocha.

Parabéns pelo trabalho desenvolvido, a saúde ambiental precisa ser incorporada à nossa prática profissional e a forma pela qual o trabalho desenvolvido conseguiu exercer as articulações, transdisciplinaridades, intersetorialidade, tem muito a contribuir!

Olá Keila, obrigado pelo comentário.

Parabéns pelo belíssimo trabalho!!!  É nessa idade que conseguimos plantar as melhores sementes!!!

Parabéns pelo trabalho!

Trabalho Bacana! A inclusão de novas práticas no território ajuda a trazer a comunidade para dentro da equipe. O tema abordado altamente relevante para uma cidade como São Paulo. A conscientização sobre o meio ambiente é totalmente inerente ao tema saúde. Lembra ações do PSE com foco ambiental... Interessante seria a inclusão dos temas propostos nas ações do programa pelo MS e MEC.AbraSUS