CAPACITAÇÃO SOBRE BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO DE ALIMENTOS COM MERENDEIRAS DE UMA ESCOLA MUNICIPAL DE GOIÂNIA-GO

CAPACITAÇÃO SOBRE BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO DE ALIMENTOS COM MERENDEIRAS DE UMA ESCOLA MUNICIPAL DE GOIÂNIA-GO

Os manipuladores de alimentos têm sido apresentados como a principal fonte de contaminação, comprometendo a qualidade e segurança dos alimentos. Portanto, a função das merendeiras como manipuladores de alimentos é de fundamental importância na manutenção de uma alimentação saudável no ambiente escolar. Dessa forma, considera-se necessário a capacitação periódica desses trabalhadores.
Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?: 

Realizou-se uma capacitação de Boas Práticas de Manipulação de Alimentos com as merendeiras de uma escola municipal ligada ao Programa Saúde na Escola (PSE) da região Aroeiras/Amendoeiras do município de Goiânia

Como funciona(ou) a experiência?: 

A atividade ocorreu em junho de 2013 com as merendeiras do período vespertino. Inicialmente, realizou-se uma dinâmica de grupo para trabalhar o processo de enfrentamento das dificuldades encontradas no ambiente de trabalho. Em seguida, foram introduzidos diferentes temas como “Riscos Ambientais”, “Higiene Pessoal”, “Higiene Ambiental” e “Cuidados com os Alimentos”. A capacitação ocorreu de maneira participativa, utilizando-se apresentação em power point com imagens ilustrativas sobre o tema. Antes e após cada introdução temática, realizavam-se pré e pós-testes, a fim de avaliar o nível de entendimento dos participantes referente ao tema abordado.

A dinâmica de grupo realizada consituiu-se em aplicar uma "Rede de problemas e soluções", na qual as merendeiras tiveram a oportunidade de expor suas maiores dificuldades enfrentadas no local de trabalho, bem como de trocar sugestões e tentar solucionar os problemas umas das outras.

Durante a conversação, algumas das dificuldades enfrentadas foram apontadas pelas merendeiras, como:
- Falta de papel toalha, material ideal para realizar a secagem das mãos após a higienização das mesmas;
- Falta de borrifador, ideal para aplicar solução sanitizante em superfícies e utensílios de manipulação de alimentos;
- Falta de uniformes padronizados para a execução de tarefas dentro da unidade de manipulação de alimentos;
- Indisciplina dos estudantes e demais servidores referente a necessidade de evitar o ingresso na cantina sem o uso de touca protetora para cabelos;
- A existência de produtos alimentícios impróprios para consumo fornecidos como ingredientes para preparações a serem distribuídas aos escolares.

Desafios para o desenvolvimento: 

Os manipuladores geralmente apresentam baixo nível de escolaridade, sendo um desafio repassar a estes a necessidade e a importância das boas práticas de manipulação de alimentos.

Ademais, obteve-se dificuldade em incentivá-las a exercerem as boas práticas devido a falta de estrutura e de recursos materiais necessárias a executá-las. Portanto, observou-se que a realidade das cantinas escolares está muito distante do ideal para uma prática alimentar saudável no quesito segurança higienico-sanitária.
 

Quais as novidades?: 

A capacitação acrescentou conhecimento à prática das merendeiras, como se pode constatar na figura 1, evidenciando-se o aumento de acertos dos temas “Riscos ambientais” e “Higiene ambiental”. Durante a atividade, foi possível discutir tanto os temas propostos como as questões abordadas no momento de conversação com as merendeiras. As mesmas foram capazes de assimilar o conteúdo junto à prática rotineira do serviço, assim como discutir soluções para minimizar os problemas encontrados no processo de manipulação de alimentos no ambiente escolar.

Apesar de ser uma atividade de caráter pontual, a capacitação obteve resultados satisfatórios, assim como em estudo realizado em 2003 em uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) em uma cidade do Rio Grande do Sul. Nesse trabalho, foram realizadas capacitações com funcionários e observou-se que após os treinamentos, aumentaram o número de respostas adequadas para as perguntas. Sendo assim, concluiu-se que as capacitações são medidas eficientes para a melhoria e ampliação da qualidade do serviço prestado (SACCOL et al., 2006). Entende-se então a necessidade da continuidade dessas capacitações para aperfeiçoar as Boas Práticas para servidoras da UAN das escolas municipais.

Somou-se, ainda, a possibilidade de aprender com as merendeiras, entendendo as limitações do serviço devido à falta de estrutura física e de recursos materiais necessários para uma adequada manipulação de alimentos. E assim, foi possível buscar soluções como:
- Utilizar pano para secar pratos e mãos separadamente;
- Recorrer à coordenação e à diretoria da escola para requisitar materiais como borrifadores e uniformes padronizados;
- Ter autonomia sobre o seu espaço de trabalho, zelando para que ninguém entre no mesmo portando trajes inadequados e sem proteção para cabelos;
- Ter autonomia para negar-se a fazer uso de matéria-prima inadequada para consumo, uma vez que as mesmas são as principais responsáveis pelo preparo e distribuição de alimentos para os escolares.

Outras observações/campo livre: 

Observou-se que “Boas Práticas de Manipulação de Alimentos” constitui um tema que necessita ser constantemente reforçado, diante a complexidade de situações vivenciadas no ambiente de produção de alimentos. A capacitação tornou-se uma atividade apropriada para mediar os conhecimentos científicos às possibilidades de execução dos mesmos no serviço de produção de alimentos.

Contudo, o ambiente escolar, assim como os manipuladores de alimentos do mesmo, deve ser regularmente fiscalizado e supervisionado visando à manutenção de práticas saudáveis de alimentação.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 216, de 15 de setembro de 2004. Dispõe sobre Regulamento técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação. Disponível em:<http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/aa0bc300474575dd83f2d73fbc4c.... Acesso em: 16 abril 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Manual integrado de vigilância, prevenção e controle de doenças transmitidas por alimentos. Brasília, 2010. 158 p.– (Série A. Normas e Manuais Técnicos).
MELLO, A. G.; GAMA, M. P.; MARIN, V; A.; COLARES, L. G. T. Conhecimento dos manipuladores de alimentos sobre boas práticas nos restaurantes públicos populares do Estado do Rio de Janeiro. Brazilian Journal of Food Technology, Campinas, 2010, v.13, n. 1; p. 60-8.
CONSELHO NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL (CONSEA). Princípios e Diretrizes de uma Política de Segurança Alimentar e Nutricional: Textos de Referência da II Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Brasília, 2004.
SACCOL, A. L. F.; RUBIM, B. A.; MESQUITA, M. O.; WELTER, L. Importância de treinamento de manipuladores em boas práticas. Disc. Scientia. Série: Ciências da Saúde, Santa Maria, v.7, n.1, p.91-9, 2006.

Autores da experiência

NomeCategoria
Denise Alves e SousaOutro
Ariane Tafnes Ferreira de MeloOutro
Ana Carolina RezendeOutro
Karoline Santana SilvaCirurgião Dentista
Regiane Christine da SilvaFarmacêutico
Dione Marçal LimaFarmacêutico

Atores da experiência

NomeCategoria
Eliane C. Cardoso FirigatoOutro
Vera Lúcia R. da SilvaOutro
Maria Helena de Oliveira SilvaOutro
Galeria de imagens: 

Comentários

Olá Denise !

Parabéns pela iniciativa de inscrever o relato de experiência "CAPACITAÇÃO SOBRE BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO DE ALIMENTOS COM MERENDEIRAS DE UMA ESCOLA MUNICIPAL DE GOIÂNIA-GO" na IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família!

Meu nome é Luciana e faço dupla com Candice, somos curadoras dessa Mostra, e gostaríamos de saber se você tem interesse em participar do Processo de Curadoria. Nosso papel como curadoras é contribuir com os autores para que as experiências sejam relatadas da maneira mais clara e detalhada possível.

A participação no Processo de Curadoria não é obrigatória, e a idéia é que possamos conversar por meio desta Comunidade de Práticas a fim de possibilitar que o seu relato "mostre" todas as potencialidades de sua experiência.

Desta forma, caso você tenha interesse em participar da Curadoria, é necessário que você me dê um retorno em até 5 dias corridos, já que a participação nesse processo é limitada e precisamos dar oportunidade para outras pessoas.

Aguardo um retorno!

Abraço!

Luciana R. Cordeiro
Curadora - IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família

1

Olá! Sim, eu gostaria de participar do Processo de Curadoria! Obrigada pela atenção! Aguardo demais contatos.

Oi Denise

Durante o processo de curadoria, que terá duração de 15 dias, eu e Candice, vamos interagir com você para melhorar ainda mais o teu relato, procurando detalhar o máximo possível para que todos compreendam melhor a atividade desenvolvida por teu grupo. Estamos a disposição para tirar dúvidas e ajudar você.

Luciana R. Cordeiro e Candice
Curadoras da IV Mostra de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família

Oi Denise

Muito bom teu relato. Gostaria de ajudar em algumas questões. Farei perguntas e se você achar viável, pode inserir a resposta em teu texto.

1. Com a dinâmica de grupo, foi possível identificar alguma dificuldade enfrentada no ambiente de trabalho das merendeiras ?

2. Quais as questões abordadas no momento da conversação com as merendeiras ? Vocês conseguiram aprender algo com elas ? 

3. Quais as soluções encontradas para minimizar os problemas encontrados no processo de manipulação de alimentos no ambiente escolar ?

4. Explique a sigla UAN.

5. Tenta rever a digitação no campo outras observações.

Agradeço a atenção

Luciana R. Codeiro

Curadora da IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família

 

 

Oi Denise

Estou aguardando tua resposta quanto as alterações sugeridas no relato.

Luciana Rodrigues Cordeiro

Curadora da IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família

 

Oi Denise

Neste momento encerro a curadoria.

Deixei algumas dicas para melhorar teu relato. 

Você pode alterar o texto até o inicio de novembro.

Abraço

Luciana Rodrigues Cordeiro

Curadora da IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família

Oi, gostei muito de seu relato. Uma intervenção bem interessante para o PSE. Entendi que o objetivo de vocês era pontual na questão prática do manejo de alimentos, mas fiquei curiosa sobre outros aspectos que podem ter aparecido na ação sobre como essas mulheres entendem essa função de ser merendeira, o que pensam sobre a alimentação oferecida para as crianças... enfim, como psico fiquei viajando aqui nas questões subjetivas desse processo... Mas é isso, gostei bastante, foi só um devaneio aqui =)

 

Olá gostei muito do trabalho,gostaria de saber se no pré-teste tinha as opções de sugestão dos temas a serem abordadaos nas capacitação feita para elas?Parabéns pela iniciativa!

Gostei da abordagem do assunto, assunto que vem sendo posto de lado visto que não foi citado se alguma das merendeiras havia passado por algum tipo de capacitação para atuar nas cozinhas das escolas publicas. Indico a formulação de alguma capacitação no ingresso dos colaboradores na função.