O papel do Agente Comunitário de Saúde na Estratégia Saúde da Família: a qualificação do processo de trabalho por meio da Educação Permanente em Saúde.

O papel do Agente Comunitário de Saúde na Estratégia Saúde da Família: a qualificação do processo de trabalho por meio da Educação Permanente em Saúde.

Este é o relato da Oficina desenvolvida pela Coordenação de Atenção Básica do município de Pomerode-SC, na qual a dramatização teatral foi escolhida como ferramenta pedagógica no intuito de promover uma reflexão crítica com os Agentes Comunitários de Saúde sobre o seu papel na comunidade e na Estratégia Saúde da Família e a importância da visita domiciliar por eles realizada. A Oficina partiu da demanda dos usuários do SUS, sugerindo a qualificação das visitas domiciliares realizadas pelos ACS.
Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?: 

Em 1994, o Ministério da Saúde criou o Programa de Saúde da Família (PSF), com o intuito de fortalecer o SUS e reorganizar a atenção básica de saúde. Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) passaram a integrar as Equipes de Saúde da Família e a somar suas ações de maneira complementar às dos demais membros da equipe. Dessa forma, agregou-se à equipe de saúde uma nova figura que faz parte da comunidade, trabalha para ela e com ela, dedicando-se a realizar trabalhos de promoção da saúde das populações a que pertencem. No que tange às competências dos ACS, destacam-se: integração da equipe com a população adscrita; planejamento e avaliação das ações em saúde com a equipe; promoção da saúde, prevenção e monitoramento de risco ambiental e sanitário; prevenção e monitoramento a grupos específicos e morbidades. O ACS é um profissional essencial nas equipes de saúde, é o elo entre a comunidade e a unidade de saúde. Diante disso, tem-se como primeiro pressuposto deste relato, que no trabalho dos ACS existem elementos potencializadores nas práticas de cuidado mais horizontalizadoras e relacionais que produzem saberes e ações que se sustentem em si em benefício de uma atenção acolhedora. Entende-se que esses elementos são potenciais para (re)criar novas formas de atuação, desenvolvendo competências norteadoras de um trabalho que vise a mudança do modelo de saúde. Outro pressuposto é que no desenvolvimento do processo de trabalho dos ACS são vivenciados limites, caracterizados pelas dificuldades junto às famílias e à equipe.

Nesse contexto, a Oficina aqui relatada teve como objetivo resgatar conceitos ignorados ou esquecidos pelos profissionais, através de uma atividade prática da atuação dos ACS na comunidade, no município de Pomerode. O município de Pomerode fica localizado no Médio Vale do Itajaí, em Santa Catarina, com forte influência da cultura alemã e possui 27.759 habitantes (IBGE, Censo demográfico de 2010). Sua estrutura municipal de saúde conta com 08 Equipes da Estratégia Saúde da Família, na qual atuam atualmente 58 ACS.

Os fatores que desencadearam a necessidade de realização da oficina foram 03: a manifestação de usuários do SUS apontando para a necessidade de aperfeiçoamento da abordagem dos ACS durante as visitas domiciliares; o diagnóstico da Gestão acerca de algumas dificuldades dos ACS no desenvolvimento das visitas domiciliares e a identificação, pelos próprios ACS, da necessidade de qualificação do seu serviço para promover sua valorização profissional na comunidade. Diante dessa situação, os integrantes da Coordenação de Atenção Básica reuniram-se, com apoio da Gestão, para planejar a melhor estratégia de abordagem para as atividades de cunho educativo com os ACS, que fomentasse mudança no seu processo de trabalho. A estratégia escolhida foi o formato de oficina, que foi realizada sob a ótica da educação permanente em saúde. O Núcleo de Educação Permanente em Saúde da Secretaria de Saúde também foi envolvido na oficina. Durante a oficina, desenvolvida pelos coordenadores da Atenção Básica, atuando como facilitadores do processo e que também integram o Núcleo de Educação Permanente em Saúde, buscou-se utilizar ferramentas pedagógicas que mobilizassem a participação ativa de todos os atores envolvidos. As ferramentas escolhidas foram: exposição dialogada coletiva, dramatização e encenação teatral e dinâmica reflexiva de grupo.

Como funciona(ou) a experiência?: 

Participaram da oficina os 58 ACS da Secretaria de Saúde de Pomerode e os trabalhos tiveram como facilitadores do processo os integrantes da Coordenação de Atenção Básica do município, sendo 02 odontólogos e 02 enfermeiras. 

Os ACS foram divididos em 03 grupos, sendo que cada grupo realizou a mesma oficina, que ocorreu em momentos diferentes. Essa divisão em grupos com no máximo 20 ACS se fez necessária para que a dinâmica de trabalho se tornasse eficiente e possibilitasse um efetivo envolvimento de todos nas atividades.

A oficina "O papel do ACS e a importância da visita domiciliar" ocorreu nos dias 22, 26 e 29 de julho de 2013, das 13 às 16 horas, no Auditório da Prefeitura de Pomerode. A proposta para estes 03 dias foi a mesma para todas as turmas, seguindo a seguinte programação:

1. Introdução com exposição dialogada e provocação reflexiva crítica e coletiva sobre o papel do ACS na ESF, ressaltando a importância da categoria no processo histórico da Estratégia Saúde da Família, bem como a importância da visita domiciliar realizada pelo ACS;

2. Divisão dos participantes em dois grupos. Preparação e orientação dos grupos: o primeiro desenvolve a dramatização teatral de uma família, representando as dificuldades por vezes encontradas nas famílias adscritas do território onde trabalham; o segundo desenvolve o papel do ACS, que visita esta família pela primeira vez e se deparará com circunstâncias novas e, possivelmente, complexas;

3. Dramatização teatral das situações acordadas no item anterior;

4. Explorar com os participantes como se sentiram no papel da Família e de ACS. Refletir sobre a abordagem à família, o vínculo, a ética, as dificuldades, os sofrimentos, o profissionalismo entre outros aspectos a partir da dramatização realizada e problematizando o próprio fazer.Verbalizar sobre a experiência

5. Dinâmica final e de fechamento: "A percepção de si e do outro".

6. Encerramento da Oficina com uma confraternização e lanche. Neste momento foi possível perceber a avaliação dos ACS acerca da oficina. O feedback foi individualizado, informal e bastante positivo. Os ACS manifestaram necessidade de momentos constantes como a oficina que foi realizada.

A oficina buscou transformar situações diárias em aprendizagem, analisando reflexivamente os problemas da prática e partindo do pressuposto que no trabalho também se aprende.

Desafios para o desenvolvimento: 

A Educação Permanente em Saúde é um conceito cujo domínio teórico ainda não é pleno no dia-a-dia da Atenção Básica e por este motivo a sua prática é desafiadora. Do mesmo modo, desenvolver atividades de educação permanente em saúde de forma horizontal e problematizadora é desafiador. Torna-se desafiador para o facilitador do processo, que necessita romper paradigmas e abrir-se para um novo modelo de educação que não é verticalizado, tampouco é centrado no detentor do saber; e torna-se desafiador também para os demais participantes do processo, neste caso os ACS, que devem romper a inércia, ora bem quista para o papel de aluno, mas que neste novo conceito e modelo de educação requer movimento, o movimento para mudança, a melhoria e a qualificação da prática a partir da reflexão crítica e da construção coletiva do conhecimento. Por fim, outro desafio é replicar esta experiência para promover novos momentos de educação permanente em saúde, utilizando-se de ferramentas pedagógicas incomuns; é um desafio à criatividade!

Quais as novidades?: 

A Oficina desenvolvida com os ACS demonstrou que uma abordagem dinâmica e reflexiva de resgate dos conceitos da prática profissional causa um impacto maior quando comparada com palestras ou capacitações simplesmente teóricas. Quando os sujeitos implicados no processo de trabalho são envolvidos como atores reflexivos da prática e construtores do conhecimento e de alternativas de ação ao invés de meros receptores de conhecimento, verifica-se a mudança nas práticas. Promover a Educação Permanente em Saúde requer problematizar o próprio fazer. A dramatização é uma forma de atrair mais a atenção para o tema, e explorar melhor certos aspectos da atividade profissional, gerando uma aprendizagem significativa.  A criatividade é uma ferramenta importante na motivação profissional, fato constatado no presente trabalho.

Autores da experiência

NomeCategoria
João Regis OliveiraCirurgião Dentista
Leopoldo Klug NetoCirurgião Dentista
Loraine Silveira AurélioEnfermeiro
Maira Beatriz Kamke HerzogEnfermeiro

Atores da experiência

NomeCategoria
Rosa Maria KlugeAgente Comunitário de Saúde
Rosa Maria MahnkeAgente Comunitário de Saúde
Waltraudt HackbarthAgente Comunitário de Saúde
Rosely S. A. de OliveiraAgente Comunitário de Saúde
Tania M. B. KlöhnAgente Comunitário de Saúde
Marise D. EspíndolaAgente Comunitário de Saúde
Cátia K. HornburgAgente Comunitário de Saúde
Mirian PereiraAgente Comunitário de Saúde
Claudeane Simone da SilvaAgente Comunitário de Saúde
Christian OttAgente Comunitário de Saúde
Marciana VogelAgente Comunitário de Saúde
Fatima C. da SilvaAgente Comunitário de Saúde
Neides de Oliveira EkvallAgente Comunitário de Saúde
Ligia HornburgAgente Comunitário de Saúde
Márcia G. VoigtAgente Comunitário de Saúde
Gisela GüthsAgente Comunitário de Saúde
Sonia B. K.BublitzAgente Comunitário de Saúde
Carla Cristiane Maas HornburgAgente Comunitário de Saúde
Lilian Aparecida Marques de JesusAgente Comunitário de Saúde
Maike MaassAgente Comunitário de Saúde
Galeria de imagens: 

Comentários

0cm;line-height:13.5pt">Olá Maira,

Parabéns pela iniciativa de inscrever o relato de experiência O papel do Agente Comunitário de Saúde na Estratégia Saúde da Família: a qualificação do processo de trabalho por meio da Educação Permanente em Saúde. na IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família!

Meu nome é Adriene, eu e a Érika, somos curadoras da IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família e estamos escrevendo para saber do seu interesse em participar do processo de curadoria da Mostra, cujo papel do curador é contribuir com os autores para que as experiências sejam relatadas da maneira mais clara e detalhada possível.

A Curadoria não é obrigatória e a ideia é que possamos conversar através da plataforma da Comunidade de Práticas, com o intuito de possibilitar que o relato da sua experiência mostre todas as suas possibilidades. E aí, você topa? Caso positivo, preciso que você responda em até 5 dias corridos, já que a participação nesse processo é limitada e precisamos dar oportunidade para que outras pessoas participem. Após esse período, precisaremos passar para um próximo relato de experiência, para garantir o acesso do maior número de pessoas.

Aguardamos seu retorno.

Abraços, Adriene

 

Boa tarde, Adriene!

 

Claro que topamos!

Até porque, além de nos "amostrarmos" acho que a intenção da incrição da experiência na Comunidade de Práticas é compartilhar saberes e aprender ainda mais.

Aguardo orientações.

Maira

Olá Maira,

bem vinda a IV Mostra Nacional de experiências em atenção básica/saúde da família! 

Obrigada por ter aceitado a curadoria, estaremos acompanhando-a com o propósito de contribuir e apoiá-la para que sua experiência seja relatada da forma mais clara e detalhada possível.

Nossa curadoria se dará aqui na Comunidade de Práticas. Eu e Érika estaremos efetuando leitura no seu relato e lhe daremos retorno.

Nos próximos 15 dias estaremos acompanhando você e esperamos poder trocar idéias aqui na Comunidade de Práticas.

Ah, como proceder para alterar o relato: É simples de fazer. Você deve estar logado, aí clicar no relato que escreveu. Vai aparecer um balãozinho escrito "Editar" logo acima da foto do perfil. Temos recomendado o uso do Google Chrome como navegador para a comunidade de práticas, isso facilita a navegação. Você pode fazer colocações nos posts, mas o importante é você ir direcionando no relato, ou seja, as alterações, inclusões devem ser inclusas no relato.

Ok? Estamos à disposição.

Abraços, Curadoras Adriene e Érika 

Olá, Adriene.

Só não ficou muito claro para mim se você e Érika farão questionamentos, perguntas e sugestões após a leitura de meu relato ou se já devo detalhar algo no relato que porventura não tenha ficado bem explicado?

Aguardo orientações.

Maira

Olá Maira,

no início da semana daremos retorno com nossa opinião.

grande abraço,

bom final de semana!

Olá Maira e demais autores,

o título do relato está muito bom

e vocês realmente venderam o peixe no

tópico venda seu peixe :) 

apenas sugerimos que a parte final

(A dramatização teatral foi escolhida como ferramenta pedagógica.)

seja disponibilizada no início:

Este é o relato da Oficina desenvolvida pela Coordenação de Atenção Básica do município de Pomerode - SC, a qual a dramatização teatral foi escolhida como ferramenta pedagógica no intuito de promover uma reflexão crítica com os Agentes Comunitários de Saúde sobre ...

E aí, o que acham?

Fizemos algumas sugestões que poderão ajudar o relato a se "amostrar" mais e melhor.

No tópico: Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?

Seria interessante vocês contextualizarem mais um pouco sobre a experiência, uma vez que só vem descrito nas duas últimas linhas.

Sugerimos contextualizar um pouco sobre o município de Pomerode (SC): população total, número de ESF,quantidade de ACS... Conte nos também um pouquinho mais da participação dos ACS, quantidade, receptividade...

O primeiro parágrafo do tópico: Como funciona(ou) a experiência?

Poderia passar para o Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?

O que acham?

Ah, esse passo a passo do Como funciona(ou) a experiência?

ficou bem elaborado, só nos conte mais sobre os profissionais envolvidos, quem coordenou... como foi???

Ah, sugerimos que façam uma leitura crítica em busca de palavras que às vezes no corre-corre digitamos errado ou deixamos de digitar alguma palavra, e assim o texto fica sem sentido. Exemplo nesses trechos do relato:

...das vistas domiciliares realizadas pelos ACS.

...O ACS é um profissional essencial nas equipes (de) saúde, é o elo...

 Lembrem-se são apenas sugestões, sintam-se à vontade para aceitá-las ou não.  

Caso aceitem,

só reforçando - como proceder para alterar o relato:

É simples de fazer. Você deve estar logado, aí clicar no relato que escreveu. Vai aparecer um balãozinho escrito "Editar" logo acima do local para foto do perfil.

Temos recomendado o uso do Google Chrome como navegador para a comunidade de práticas, isso facilita a navegação. Você pode fazer colocações nos posts, mas o importante é você ir direcionando no relato, ou seja, as alterações, inclusões devem ser inclusas no relato. Ok?

Estamos à disposição.

Abraços, Curadoras Adriene e Érika  

Obrigada, Adriene e Érika.

Gostei muito das observações e sugestões.

Estarei trabalhando nelas no final de semana.

Maira

 

Grata Maira,

Nossa curadoria encerrará dia 01/11/2013, mas você tem até o dia 07/11/2013 para editar relato.

ok?

Caso queiram fazer alterações, inclusões...  fiquem à vontade. abraços 

O agente comunitario é personagem essencial a ESF, a Educação Permanente é ferramenta fundamental para a melhoria do trabalho desenvolvido pelos ACS... Parabéns

1