Bebê sorriso: uma proposta de atenção odontológica integral à saúde da criança de 0 a 2 anos

Bebê sorriso: uma proposta de atenção odontológica integral à saúde da criança de 0 a 2 anos

Bebê sorriso é o projeto instituído no PSF São Vicente, em Seridó interior da Paraíba, com ações de saúde bucal na assistência à criança de 0 a 2 anos buscando minimizar os efeitos do isolamento em suas ações e do significativo número de crianças com cárie em idade pré-escolar. O acompanhamento odontológico se dá desde o pré-natal até a puericultura seguindo o cronograma do PSF, além de ações educativas e grupos terapêuticos garantindo desse modo, a integralidade da atenção à criança.
Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?: 

  

            A chegada de uma nova vida é sempre um momento especial e de grande ansiedade para a mulher, mas também de oportunidade para mudanças de hábitos familiares e, onde ela torna-se receptiva ao conhecimento que lhe é transmitido.

            Na Estratégia de Saúde da Família a atenção à infância é promovida a partir de ações que integram a Saúde da Criança. Dentre essas ações encontram-se o pré-natal, a visita puerperal e a puericultura.

            Há algum tempo a Saúde Bucal busca inserir-se nesse contexto de buscando minimizar os efeitos de anos de isolamento em suas ações representadas pelo significativo número de crianças com cárie em idade pré-escolar e, pela necessidade de medicalização de crianças decorrente da ausência de cuidados apropriados com sua cavidade oral.

            Detectada essa carência a essa faixa etária promoveu-se uma adequação na assistência à infância instituindo-se o acompanhamento odontológico desde o pré-natal, seguindo-se pela visita puerperal e culminando no atendimento da puericultura odontológica. Estas ações são complementadas pelas atividades educativas e grupos terapêuticos. 

            Este encaminhamento tem-se mostrado efetivo nos cuidados com os bebês acompanhados pela ESF São Vicente de modo a ser possível afirmar a melhoria na condição de saúde bucal e redução drástica na medicalização na faixa etária de 0 a 2 anos no território adiscrito da unidade.

 

Como funciona(ou) a experiência?: 

            As ações de acompanhamento se dão integradas no cronograma da equipe. O agendamento é realizado por microáreas através do agente comunitário seguindo as datas estabelecidas em reunião.

            O acompanhamento tem início no pré-natal, onde o ACS capta a gestante encaminhando-a ao PSF. Após a consulta de enfermagem é realizado um encaminhamento para a saúde bucal, onde a gestante passa a ser assistida em consultório segundo suas necessidades. Além disso, a mãe participa de grupos terapêuticos e atividades educativas que envolvem a equipe do PSF e o apoio matricial (NASF). Quanto ao apoio matricial ele possibilita que, em caso de necessidade, possa se desenvolver um projeto terapêutico para solucionar alguma dificuldade surgida neste processo.

            O próximo passo refere-se à visita puerperal agendada pelo ACS e realizada pela equipe em domicílio. No caso específico da saúde bucal, a puérpera recebe reforço nas orientações quanto: à amamentação; ao uso de mamadeiras e chupetas; transmissibilidade da cárie e cuidados com a higiene bucal do bebê (através de demonstração no local de como realizar este procedimento, permitindo-a sentir-se mais segura para a realização desta tarefa).

            Em sequência está a puericultura, com consultas individuais e no mesmo dia agendadas pelo ACS e realizadas pela equipe. Estas consultas são realizadas, a priori, seguindo o cronograma preconizado pelo Ministério da Saúde e adaptado a realidade local. No dia agendado o agente da referida microárea presente na unidade organiza o atendimento. É realizado à antropometria pela técnica de enfermagem e, seguindo o atendimento a consulta com a enfermagem e, após com a saúde bucal.

            No consultório odontológico, seguem-se o reforço nas orientações a partir da necessidade observada, além das informações próprias do período de desenvolvimento infantil, por exemplo: orientações quanto ao aleitamento materno; dieta; higiene bucal da criança; erupção dental e, hábitos parafuncionais. A criança é avaliada clinicamente para detecção de malformações ou alterações bucais e ainda, para a observância da higiene bucal. A mãe é estimulada a realizar a higiene infantil no local para a correção de possíveis dificuldades. Os dados são anotados em prontuário e, no cartão de vacinação da criança.

 

Desafios para o desenvolvimento: 

         Os desafios são imensos, uma vez que, a baixa escolaridade e condição de pobreza desta população colaboram para a perpetuação dos hábitos de mutilação odontológica.

         Algumas mães tem resistência em realizar a higiene bucal, especialmente dos recém nascidos, por considerar que a criança por chorar está sofrendo; por entender como desnecessário, uma vez que suas mães não realizaram esse procedimento nelas; pela influência de parentes e amigos e,  por afirmar que a higiene bucal inicia-se apenas quando a criança já tem todos os dentes.

 

Quais as novidades?: 

         Consideramos esse projeto inovador segundo a realidade local, onde a assistência odontológica à criança de 0 a 2 anos restringia-se a demanda espontânea no caso de alguma eventualidade na saúde bucal da criança, além das atividades educativas de grupo. Com isto, as informações passadas não eram aplicadas e a baixa adesão à higiene bucal dos bebês favorecia a medicalização de recém-nascidos devido à colonização de fungos e outras infecções bucais, além de altos índices de cárie dentária em crianças em idade pré-escolar.

        Outro ponto importante que podemos observar é o fortalecimento do vínculo entre a mãe e a cirurgiã-dentista. Anteriormente, o contato se dava apenas se alguma complicação na saúde bucal da criança fosse observada, entretanto, como a frequência de visita ao consultório aumentou, as mães trazem suas dúvidas, compartilham suas ansiedades, frustrações e alegrias neste processo.  Com isso, é possível focar o atendimento oferecido a elas segundo as necessidades apontadas, colaborando desse modo, para o sucesso dessa ação de promoção de saúde bucal para crianças de 0 a 2 anos.

Autores da experiência

NomeCategoria
Silvana Parreira BarbosaCirurgião Dentista

Atores da experiência

NomeCategoria
Edilângela dos Anjos LeonardoAuxiliar de Saúde Bucal
Mineya Carlla Souza da CostaEnfermeiro
Maria José Almeida BuritiTécnico de Enfermagem
Maria Elvídia do Nascimento CostaAgente Comunitário de Saúde
Aderaldo Patrício de SouzaAgente Comunitário de Saúde
Ana Claúdia da Silva LimaAgente Comunitário de Saúde
Juscicleide Medeiros de BritoAgente Comunitário de Saúde
Maria das Graças Lima PaulinoAgente Comunitário de Saúde
Enoque Leandro de MouraMédico
Galeria de imagens: 

Comentários

Parabéns Silvana e toda equipe de São Vicente.Ficou muito bom!

Obrigada Eliane! Importante sua opnião por conhecer a realidade que estamos inseridas.

Parabéns Silvana!

Concordo que precisamos atuar desde cedo, aumentando o vínculo ainda no período pré-natal. Aqui em Ponta Grossa/PR atuo em uma ESF que também se preocupa com a saúde mamãe/bebê. As ações de Puericultura são realizadas pelas equipes médica e odontológica em conjunto, elas acontecem no consultório odontológico, que é bem espaçoso, também no salão paroquial de uma igreja, onde a equipe se desloca para atendimento da comunidade mais distante. Estou trabalhando nesta equipe há pouco mais de um ano. Na ESF que atuava anteriormente a enfermeira fazia as puericulturas mas nem sempre era em dias definidos, acontecia de alterar as datas e as vezes eu ja tinha poacientes marcados, então não fazia tantas como acontecem nesta unidade.

Bem estou te contando tudo isto porque desenvolvi um Dispositivo Odontopediátrico livre de Contenção para atendimento deste pequeno paciente e também estou mostrando. A idéia é muito bem aceita pelos pais e bebês. Nossa postura também fica favorecida pois não curvamos tanto a coluna. A mãe visualiza o procedimento de limpeza facilitando a prática em casa. De uma olhada, tambem postei neste eixo. Abraços 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Obrigada Vera Lúcia! Muito bom saber da existência de colegas que acreditam que é possível melhorar a condição de saúde bucal no nosso país e se resposabilizam para alcançar essa meta. Vou procurar ler sobre o seu projeto e voltamos a conversar! Um abraço da Paraíba no Paraná! rs

 

Boa noite Silvana!!!

Bem-vinda a IV Mostra Nacional em Atenção Básica e Saúde da Família.

Sou Ana Paula, enfermeira de Juazeiro do norte, eu e Ana Gradênia (dentista de Aracaju), somos a dupla da curadoria.

Os curadores terão o papel de cuidar das experiências, contribuir para elas sejam relatadas da maneira mais clara e detalhada possível, com o objetivo de provocar reflexão e dar visibilidade às práticas de saúde que acontecem nos territórios. Com esta nova metodologia, os autores terão oportunidade de, com a ajuda dos curadores, problematizar, detalhar e desenvolver seus relatos, tanto no que diz respeito à escrita propriamente dita, quanto às formas de apresentação, agregando vídeos e imagens dentre outros.

Vamos aguardar 5 dias corridos para a sua resposta, caso aceite o processo de curadoria estaremos nos encontrando aqui na comunidade para a troca de experiências!!

Abraço.

Ana Paula

Boa tarde Ana Cláudia e Ana Gradênia (é assim mesmo que se escreve?)!

Aceito com certeza a curadoria e entendo que será uma parceria que muito contribuirá para a melhoria das ações que estamos desenvolvendo.

Aguardo instruções. Espero que tenham gostado deste projeto.

Abraço,

Silvana.

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Olá Silvana

Voce consegui ver o meu trabalho? Nosso trabalho é parecido, começamos com as gestantes e também atendemos muitos bebês nas consultas de puericultura em equipe, e o Avental que desenvolvi é muito prático, coloquei um vídeo na mostra exemplificando uma das diversas atuações com o Dispositivo Odontopediátrico Livre de Contenção - o Avental, logo postarei mais alguns com as crianças um pouco maiores na clínica do bebê que abrange as faixas etárias de 1 até 3,4 anos e o objetivo é erradicar mesmo a doença cárie, se puder veja o video. O link do vídeo é www.youtube.com/watch?v=gM17LdU26r8

AbraSUS

Olá Vera! Infelizmente não consegui ver seu trabalho, mas adorei o vídeo que vc me enviou. Parabéns pela iniciativa. Seu dispositivo é simples, útil para nós profissionais e, deixa a criança bem à vontade, permitindo interação com a profissional e também com a mãe, logo, será um sucesso na Mostra! Quero muito conhecê-la de perto para trocarmos "figurinhas"!

AbraSUS

Olá Silvana, Bem vinda a IV Mostra Nacional Atenção Básica/ Saude da Familia.

Junto com Ana Paula estou neste processo de curadoria, e sendo Cirurgiã-Dentista fico muito feliz ao ver tantos colegas de profissão relatando experiências exitosas nesta Mostra.

No momento preciso repassar algumas informações sobre o processo de curadoria: a partir de agora nossas interações serão a partir desta comunidade de práticas durante um período de 15 dias prazo de duração desta curadoria, ressalto que o seu relato pode ser editado até 20 de outubro. A cada comentário do curador você terá 3 dias para realizar as considerações necessárias de forma a potencializar a descrição do seu relato. Alguma dúvida...escreva.

Seguimos conversando.

Abrasus

Olá Silvana, Bem vinda a IV Mostra Nacional Atenção Básica/ Saude da Familia.

Junto com Ana Paula estou neste processo de curadoria, e sendo Cirurgiã-Dentista fico muito feliz ao ver tantos colegas de profissão relatando experiências exitosas nesta Mostra.

No momento preciso repassar algumas informações sobre o processo de curadoria: a partir de agora nossas interações serão a partir desta comunidade de práticas durante um período de 15 dias prazo de duração desta curadoria, ressalto que o seu relato pode ser editado até 20 de outubro. A cada comentário do curador você terá 3 dias para realizar as considerações necessárias de forma a potencializar a descrição do seu relato. Alguma dúvida...escreva.

Seguimos conversando.

Abrasus

Boa Tarde, Silvana..

Ao ler seu relato notei que  você menciona o NASF como apoio matricial, como se deu esse apoio dentro desta iniciativa?

AbraSUS

Oi Ana Gardênia. O apoio do NASF neste projeto tem se dado através do grupo educativo com as gestantes e também em relação aos projetos terapêuticos quando detectada alguma necessidade de atuação mais direta.

AbraSUS

Olá Silvana,

Como sugestão: o que acha de acrescentar esta informação no relato?

 

Olá Ana Gardênia, boa noite!

Pela experiência que tivemos até o momento o NASF apenas atuou na parte de educação em saúde, mesmo existindo a possibilidade dos projetos terapêuticos... então, posso descrever no trabalho de forma mais completa como foi essa atuação. Ok?

Obrigada pela dica. AbraSUS

Olá Silvana,

Como sugestão: o que acha de acrescentar esta informação no relato?

AbraSUS

Boa tarde Silvana! 

Estamos felizes em compartilhar experiências com profissionais de espaços diferentes e que tem muito a nos contar.

Fiquei pensando em vocês colocarem no relato como o grupo pretende trabalhar os desafios da higiene bucal com as mães? Já que elas tem resistência em acitar as orientações. Que estratégias já foram feitas? Quais aquelas que vocês pensam em realizar?

Gostaria de sugerir, se você concordar, em acrecentar como as participantes interagem nesse processo, ou seja, o que as mães comentam, falam, perguntam, respondem... Vocês fazem alguma atividade que permitam a fala das participantes? Como é feito? O que elas relatam essas ações desenvolvidas na vida delas e dos seus filhos?

Se ceitar as sugestões, poderar responde em três dias, e também pode edirtar no relato até 20 de outubro!

Abraço.

Ana Paula.

Oi Ana Paula, boa noite!

Gostei bastante das suas sugestões e com certeza vou editar no Projeto. Obrigada!

AbraSUS

Olá Silvana, resalto que o prazo para que você possa editar as sugestões no seu relato foi prorrogado para 04 de novembro.

AbraSUS

Parabéns. Fico contente em ver a equipe de saúde bucal, envolvida com as equipes e podendo juntos criar um bom trabalho

Obrigada pelo incentivo Claudimeire Cardoso. É sim fundamental envolver a equipe de saúde bucal para que possamos oferecer uma assistência integral aos usuários. Muito importante também, que o cirurgião-dentista não se acomode ao "atender em consultório", mas que os profissionais da Odontologia possam assumir o seu papel de promotores de saúde. AbraSUS!

Olá Silvana!!

Achei muito interessante seu trabalho e vou levar esta idéia para o centro de saúde onde trabalho. Importante medida preventiva nesta faixa etária!

Parabéns!

Obrigada Amanda. Desejo que consiga colocá-lo em prática pois, trata-se de medida muito importante para buscarmos a melhoria da saúde bucal da nossa população. São medidas simples, mais eficazes na busca da cárie zero. AbraSUS.